15/07/2004

AS MENTIRAS DO MICHAEL MOORE

A pedido dos meninos da Trip, escrevi um comentário sobre Michael Moore. Ou melhor, sobre o site que checa 24 horas por dia a vida e obra de MM. O rapaz anda pelos ares rarefeitos dos píncaros da glória: recordista de bilheteria nos cinemas, assunto da campanha eleitoral americana e na capa da revista Time. Ufa, tomara que o ego, aquele diabinho exibido que vive dentro de cada um de nós, não engula o gordinho.

Vai o texto, publicado na revista que está nas bancas:

MOORELIES.COM

Foi Walter Salles quem me apresentou a Michael Moore. Em 1990 jogou na minha mão um VHS de “Roger and Me”. Era um documentário tosco onde Moore tenta falar com o presidente da GM, uma ousadia para a época (até hoje não devolvi a fita, desculpa aí, Waltinho).

Não foi a primeira vez que alguém via semelhanças entre a minha performance como Ernesto Varela e a do gorducho americano. Depois, Marcelo Coelho, também comentou isso na Folha, porém concluía que Moore estava mais para Bussunda.

A novidade do Varela é que em si ele já é um repórter ficcional. O que me dá uma extrema liberdade de descrever “realidade”, entre aspas mesmo, do meu jeito. Ao contrário dos jornalistas de verdade, que diariamente tentam- quase sempre em vão- ganhar a batalha de noticiar com neutralidade as 24 horas do dia.

Vejo com grande interesse o crescimento do gorducho cineasta. Oscar, Cannes… ele é uma espécie de Nizan Guanaes do documentário. Como o baiano, bom falador e bom vendedor.

Agora surgem outros gorduchos americanos (eles estão se multiplicando como uma praga) para criticar os métodos de MM. O site moorelies.com brinca com a palavra mentira e o nome do cineasta. É como se fosse um microscópio 24 horas em cima de tudo que ele diz ou faz.

É ótimo ter alguém de olho nos exageros do MM. Mas penso que, manipulando ou não os fatos, ele nos faz refletir sobre o mundo. Mais do que qualquer artigo hiper-equilibrado-que-ouve-os-dois-lados dos jornalistas que seguem o manual da redação.

Como já aprendemos com o comercial do Hitler para a Folha (do próprio Nizan, em dupla com Olivetto): é possível contar muitas mentiras falando apenas verdades.

Escrito por Marcelo Tas às 17h18

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08/07/2004

LIBERDADE PARA O SR. MADRUGA

 

Vai começar a festa da democracia: Eleições Municipais 2004.

Voto livre, debater as propostas dos candidatos...

Piiiiiiii

... expressar livremente. a nossa opinião...

Piiiiiiii Piiiiiiiiiiiiiiii

Agora, em época de eleição é assim. A lei eleitoral deixa a mídia de bico calado. Como na época da ditadura.

Em 1974, com medo de perder as eleições municipais para a oposição, o governo do Gen. Geisel baixou decreto para controlar os meios de comunicação! Era a lei Falcão que limitava de uma maneira ridícula a palavra dos candidatos.

Funcionava assim, um candidato qualquer, por exemplo: o Sr. Madruga. Só podia aparecer na TV uma foto 3 x 4, acompanhada por uma voz que lia o curriculum dele. Bem resumido.

"Vote Sr. Madruga, pai dedicado de Chiquinha. Vive de bicos. Tem apoio do amigo Chapolin. Contem com sua astúcia. Obrigado."

Depois vieram os anos 80. Milhões nas ruas pelas diretas. Vitória da democracia! Liberdade. Os repórteres podiam fazer perguntas diretas para os candidatos. Debates na TV, ao vivo. Horário eleitoral sem censura.

Mas aí entraram em cena os super marketeiros.Os programas politicos viraram superproduções. Os candidatos, heróis de hollywood!

Para evitar esses excessos. E dar oportunidades iguais a todos, foi criada em 1997, a tal Lei Eleitoral. A intenção até que era boa. Só que para defender a democracia a lei agrediu a liberdade de expressão. Olha só.

1) É proibido difundir opinião favorável ou contrária a candidato, bem como dar tratamento privilegiado a partido ou coligação.

Isso é muito subjetivo. Quando um candidato vai ao programa de rádio e TV do amigo apresentador, o que se pode esperar? Não é melhor permitir que todos meios de comunicação falem de política livremente, e assim você decide em quem acreditar?

2) É vedado às emissoras de televisão, usar montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que ridicularizem o candidato.

Ou seja: humoristas não podem fazer humor. Ninguém pode ser criticado. Senão aparecem os super advogados dos políticos e processam jornalistas ou quem quiser emitir um pensamento ou opinião.

Só que enquanto isso no horário gratuito os supermarketeiros usam e abusam dos efeitos de áudio e vídeo pra convencer você, eleitor, que o todo candidato é sensacional! Mas não era isso que era proibido?

Debates só com todos candidatos presentes. Olha, só em S. Paulo são 14 candidatos. E dá pra juntar esse povo todo no mesmo dia, num só programa? E como tirar alguma coisa que se aproveite desse bate-boca?

É, meus caros eleitores e eleitoras, a lei eleitoral de 97 tirou e muito a beleza e liberdade do embate democrático. O que fazer? Voltar a Lei Falcão? Libera geral? Ou vamos colocar os candidatos na casa do Big Brother e votar pelo telefone ou internet?

Clique aqui. Na quinta eu volto com a sua opinião no Jornal da Cultura.

Escrito por Marcelo Tas às 00h09

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VARELA ENCONTRA REPORTER VESGO

Criançada,

Esta semana, a convite da Folha, me encontrei com o arrojado repórter Vesgo, do Pânico, da Rede TV.

O cara tem 6 meses de TV, mas já fez um barulhão. Além de já ter levado um pé no ouvido de um entrevistado, o Victor Fazano, por conta de um trocadilho infame: "Victor, faz anos que não te vejo!"

O gente nervosa...

Eu gosto muito da ousadia do Vesgo e da criatividade trash do Pânico (tirando aquele quadro da "Morte", que eu acho chato, apelativo e bobo).

Se você quiser conferir o resultado do encontro, sai na Ilustrada desse domingo.

O que vocês acham do Vesgo e do Pânico? Cliquem aqui.

Escrito por Marcelo Tas às 23h05

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02/07/2004

FÉRIAS, DE NOVO!

Oppps, o que é isso? Ah, é o sinal do final das aulas do primeiro semestre!

Novamente, saem de férias os brasileiros com as maiores férias da paróquia: os
estudantes e os nobres deputados e senadores de Brasília.

São as duas categorias de trabalhadores brasileiros que ainda desfrutam de 90 dias de férias por ano!

Quer dizer, os estudantes, pelo menos estudam de segunda a sexta. Já os congressistas praticam aquela semana de terça a quinta em Brasília. Porque nos outros dias eles tem que estar nas suas bases eleitorais! Aparecem muito pouco na sala de aula.

Vamos fazer um cálculo rápido. O ano dos ilustres deputados e senadores começou em 16 de Fevereiro, já que antes eles estavam de férias, é claro. Logo de cara veio o carnaval, Semana Santa e outros feriadões até chegar no incrível emendão das festas juninas, que eles não podiam perder. Tinham que festejar junto as bases eleitorais!

Resultado: dos 6 meses que compõe o primeiro semestre deste ano, os congressistas trabalharam em Brasília: 53 dias! Menos de 2 meses em 6!!!

Conclusão: não deu tempo de votar o que devia. E agora, corre corre geral. Pra não queimar mais do que já está o filme do Congresso, o presidente da Câmara João Paulo Cunha e do Senado José Sarney dispararam a pensar numa saída digna pra tanta cabulação de aula.

Já sei, diz um: "Convocação extraordinária!" Não, diz outro. Já gastamos $50 milhões do contribuinte no começo do ano e foi um desgaste terrível.

- Ah, eureka: Vamos transferir o recesso para Agosto!

PARENTESES: Recesso é um sinônimo sério, sizudo, responsável, que eles inventaram para dizer férias.

CONTINUANDO...

- Isso mesmo, vamos transferir o recesso para Agosto!

- Ih, não dá! Em Agosto começa o recesso branco.

Recesso branco? Como assim?

OUTRO PARENTESES: Além dos 90 dias de folga costumeiros, mais de uma centena de congressistas vão disputar eleições municipais em outubro. É o recesso branco. Quer dizer, pouca gente vai aparecer pro trabalho no segundo semestre.

Moral da história: começou nesta segunda-feira, dia 5 de Julho, em Brasília, a semana do esforço concentrado. Os congressistas vão trabalhar pesado, de segunda a sexta, para votar assuntos do seu interesse, internauta: Previdência, Incentivo à inovação tecnológica, Trabalho Escravo, Biossegurança, lei de falências e a famosa LDO, lei das diretrizes orçamentarias. Sem ela, nem teremos orçamento para o ano que vem.

Depois dessa semana dura de trabalho, recesso de Julho. Na volta do recesso, outro recesso: o recesso branco! Que já está me deixando vermelho de raiva!

E você, caro internauta, tem alguma idéia do que fazer para os deputados e senadores ficarem mais tempo em Brasília? Alguma sugestão para mudar as férias ou os recessos deles? Clique seu comentário aqui. Na quinta, eu apareço no Jornal da Cultura com a sua opinião.

 

PS: O pessoal da foto que também está saindo para suas merecidas férias é do Colégio PH de Botafogo, Rio de Janeiro, que eu pesquei na net.

Escrito por Marcelo Tas às 10h40

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