11/03/2005

BLOG É COMO FUTEBOL: UMA CAIXINHA DE SURPRESAS

Cada vez mais, este blog é um exercício de conhecer melhor a mim mesmo e a alma humana. Mas a gente sempre se surpreende.

Olha só o comentário do Orfeu (que também é da Conceição, ou será o contrário?):

[Orfeu][Conceição]

Lendo as mensagens do seu blog, chega-se a seguinte conclusão: Cultura se pratica com conta gôtas enquanto que a ignorância, vem de enxurrada.

10/03/2005 21:04

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Obrigado a cada um de vocês que esquenta a fogueira da dúvida neste blog. Inclusive, os ignorantes. Até porque afinal, como diz Pedro Cardoso (no seu imperdível espetáculo em curta temporada em São Paulo, no Teatro das Artes, Shopping Eldorado): somos todos ignorantes! Sejam todos muito bem-vindos.

Escrito por Marcelo Tas às 08h06

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09/03/2005

ALÔ ARTISTAS DE SP, VAMOS APOIAR A BARBÁRIE

Como comentar o fim de um projeto conquistado a sangue, suor e lágrimas tão bem sucedido como a Lei do Fomento ao teatro de São Paulo? Eram espetáculos, escolas de formação de atores, estratégia para formação de público, trabalho junto a comunidades da periferia... enfim um ecossistema frágil mas poderoso começando a reverter uma situação de caos e terra arrasada mental que vivemos nessa imensa nação tropical. Só o teatro tem a força para tal tarefa.

A Lei do Fomento de SP deveria ser adotado como um modelo por esse governo federal raquítico e ignorante na área da cultura, apesar de todo o esforço e charme do ministro Gil. Deveria ser adaptado para outras cidades do país. Despertou interesse e ciúme dos artistas cariocas que dependem do monopólio das estrelas de televisão e da obrigação de satisfazer diretores de marketing bobocas que se satisfazem com vinho branco e fotógrafos da Caras.

O fim da Lei do Fomento, se acontecer, é um fato que deve provocar a nossa indignação mais profunda. Se a coisa caminha nessa direção mesquinha, só nos resta a barbárie. Aliás, talvez aí esteja o erro da classe. O movimento que consquistou a aprovação da lei se denomina Arte Contra a Barbárie. Talvez devemos fazer o contrário. Apoiar a barbárie, a pirataria, o desgoverno, os negociatas e os cachaceiros quebradores de bar, como fez recentemente o rei do pastelão mofado Severino Cavalcanti.

Assisti nos espetáculos apoiados pela Lei do Fomento, uma luz no fim do túnel. A possibilidade de novas vozes e expressões, além dos medalhões de sempre.

Alô artistas do teatro paulista, mãos à obra. Vamos apoiar a barbárie!

Não é possível nã existir no orçamento da mais rica cidade do Brasil míseros R$ 9 milhões por ano para continuar o projeto! R$ 9 milhões é salário anual de apresentador de TV no Brasil! E foi valor suficiente para iniciar nos últimos dois anos, um verdadeiro saneamento e encantamento em milhares de almas na maior capital da América do Sul.

Um governo responsável deveria destinar valores infinitamente mais elevados para arte e educação, como fazem França, Alemanha, Inglaterra, Coréia, Japão... Mas parece que não é o caso. Queremos permanecer no breu junto com os ignorantes.

Peraí, deixa eu fazer uma conta: R$ 9 milhões... É o equivalente a 0,24% do lucro anual do Banco Itaú!

Pronto, tá resolvido! Alô Dona Milú Vilela, a senhora que gosta tanto das artes, das iniciativa comunitárias, poderia entrar para história, como a mulher que venceu a barbárie na capital paulista. É fácil, só ir no bankline e transferir essa bobaginha, 0,24% da montanha mágica dos lucros do seu banco. Num clique, a senhora se tornaria a amante brasileira de William Shakespeare!

Mas o trágico deste drama é que a senhora e grande parte dos dirigentes que detém o poder de governar os destinos desse povo criativo e resistente, ainda tem uma dúvida fundamental a ser resolvida: ser ou não ser?

Escrito por Marcelo Tas às 10h10

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07/03/2005

ESSA INTERNET DA PESTE

Criançada,

Agora, pegou geral. Deu na Globonews, na Folha, no O Globo e alhures... a internet foi fundamental na recuada dos deputados e senadores em se auto-aumentar os salários.

Vai abaixo, uma correspondência legítima e conferida, do ouvidor geral da Câmara com um colega indignado da TV Cultura que simplesmente enviou um e-mail com seu protesto. Foi respondido!

E agora, você vai ficar calado aí? Quando tiver que botar a boca no trombone, não hesite, clique!!!

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RECLAMAÇÃO
De: Carlos Alberto Oliveira
Enviada em: quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005 17:53
Para: Ouvidoria Parlamentar
Assunto: FALE CONOSCO - 772B2674

Fale Conosco - ouvidoria

Ação:
Reclamar

Nome:
Carlos Alberto Oliveira

Cidade:
São Paulo/SP

Mensagem
É inadmissível esse aumento de salário para os deputados, é quase uma ofensa para um povo que vive em sua maioria com um salário mínimo. Trabalho numa empresa de comunicação e meu dissídio nos últimos anos variou entre 2% e 5% como a maioria dos trabalhadores brasileiros. Então, por favor, não nos ofenda, não abusem do dinheiro público, pensem um pouco nos miseráveis que os elegeram...TENHAM UM POUCO DE VERGONHA NA CARA!



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RESPOSTA

De: "Ouvidoria Parlamentar"
Data: 2 de março de 2005 16h51min36s GMT-03:00
Para:
Assunto: RES: [spam] FALE CONOSCO - 772B2674

Carta O. P. Nº 0238/05

Prezado Senhor Carlos,

Comunicamos o recebimento de sua mensagem na Ouvidoria Parlamentar. Antes de mais nada, gostaríamos de nos desculpar pela demora na resposta. Recebemos diariamente centenas de mensagens e temos procurado atender o cidadão com mais rapidez, entretanto, nem sempre nos é possível fornecer um retorno imediato.

Gostaríamos de enfatizar que a Câmara dos Deputados vem se empenhado na modificação de sua forma de trabalhar, deixando para trás uma estrutura fechada, praticamente inacessível à população e abrindo cada vez mais as suas portas à sociedade. Prova disso foram os vários mecanismos criados como a Ouvidoria Parlamentar, o Conselho de Ética e a Comissão de Legislação Participativa. Além disso, a Secretaria de Comunicação Social, por intermédio da TV, Rádio e Jornal da Câmara tem adotado a política de divulgar as informações sobre os fatos ocorridos nesta Casa com a maior brevidade possível. Hoje o cidadão tem condições de acompanhar todo o trabalho parlamentar, inteirar-se das discussões e ter acesso às contas, tanto da Câmara, quanto dos gastos parlamentares. Exatamente em razão de tamanha transparência, o Poder Legislativo tem sido constante alvo de críticas da sociedade, muitas delas originárias de fatos que chegam ao conhecimento público sem a necessária clareza.

No caso específico da equiparação dos subsídios dos parlamentares com o vencimento dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, informamos que não foi ainda apresentado projeto nesse sentido. Tratando-se, porém, de assunto controverso e em evidência na mídia, estamos organizando todas as mensagens recebidas, inclusive a de sua autoria, para encaminhá-las de imediato à Presidência e demais membros da Direção da Câmara, bem como às Lideranças.

Assim, cumprimos nosso dever de levar ao conhecimento de todos, as opiniões dos cidadãos que se manifestaram, para que sejam levadas em conta no processo decisório sobre o assunto.

Continuamos às ordens para fornecer qualquer tipo de esclarecimento.

Atenciosamente,

Deputado Custódio Mattos
Ouvidor-Geral

Escrito por Marcelo Tas às 14h21

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01/03/2005

UM ANGELI VALE MAIS DO QUE UM ITAÚ

 


Sou rapaz pacífico. Mas cada vez que é divulgado o balanço anual dos bancos brasileiros, penso em pegar meu estilingue e iniciar uma revolução. Quebrar tudo.


É que o óbvio fica ululante. No país campeão das desigualdades, os banqueiros, tops no ranking dos privilegiados, ficam cada vez mais ricos. Nadando em montanhas de dinheiro. Literalmente. O Itaú apresentou o maior lucro da história do setor bancário do país: R$ 3,776 bilhões! Outros seguiram na mesma levada. Crescimentos de até 37% ao ano!  


O que eles dão em troca? Demissões de funcionários humildes, filas nos caixas, aborrecimento pros clientes, sorteiozinhos para sugar ainda mais as migalhas dos incautos e institutos culturais meia-boca, com o dinheiro, é claro, nosso, dos impostos, através das leis, que eles mesmos retornam para si mesmos. Posam de mecenas, amantes da artes. Mas nem são capazes de meter a mão no bolso para bancar a Sinfonia Cultura, orquestra da TV Cultura que fazia um trabalho importantíssimo de levar música erudita para os leigos. Durante mais de um ano, cativou o público do Sesc Belenzinho, o único teatro que a acolheu, na Zona Leste de SP. Custava R$ 3,5 milhões por ano! Alô banqueiros, com uma migalha dessas quem sabe vocês conseguem livrar os seus filhos de arder no inferno!?


Nada dessa indignação tão primária quanto inútil chega aos pés do insight de um grande artista como Angeli. Ele publicou o cartum acima na Folha de ontem. Numa penada, ele se torna o principal editorialista daquele jornal. Resume num quadrinho, tudo o que deve ser dito. Cada vez mais, Angeli se torna meu principal "ídalo"! Ultrapassou Chico Buarque. Encostou no Miles Davis (que já nos deixou). E se aproxima perigosamente de Ute Lemper, cantora de cabaré alemã, minha diva atual preferida.

Escrito por Marcelo Tas às 10h05

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