29/04/2005

LULA NA COLETIVA: SÓ NÃO CONVENCEU O PORTUGUÊS



Aposto que o Lula está arrependido de ter demorado quase dois anos e meio para conceder sua primeira entrevista coletiva.

Ele é bom de papo. Os jornalistas sambaram na mão dele. O presidente estava afiado até para convencer a todos sobre os acertos, inegáveis, da política econômica hiper-neo-liberal do Palocci. Só não foi obrigado a explicar a contradição dela bater de frente contra o seu histórico pessoal. E até mesmo contra o programa de governo com o qual foi eleito pela maioria dos brasileiros.

Desta vez o cenário estava arrumadinho. Bandeira no lugar certo. Luz perfeita. Barba aparada e até um bronzeado, deixou o presidente bonito. Enfim, a entrevista coletiva, mesmo com repórteres bem mansinhos, fez bem à democracia brasileira. O mansinhos aqui fica por conta de ninguém ter questionado o presidente no seu calo mais dolorido: a crise política. O desmantelamento do PT. A cara de pau do Zé Genoíno. A psicopatia do Zé Dirceu. A desfaçatez do Zé Sarney. A incongruência do Zé Alencar... Enfim, só de Zés, teriam vários temas espinhosos para cutucar o presidente. O pessoal preferiu ficar no assunto mais chique, economia. E se deram muito mal. O presidente sabe bater papo e seduzir como ninguém.

Quando o assunto é lero-lero, só tem uma coisa que Lula não sabe. E me incomoda muuuuuuuuuito (desculpem os jovens militantes que frequentam esse blog). O nosso Exmo. Presidente, com todo respeito, NÃO sabe falar português. Ele abre a boca e o meu ouvido, estômago e a alma começam a doer. Fico com uma vergonha imensa, por ele e por cada um de nós. Um cara tão bacana e inteligente como o Lula poderia se esforçar um pouco e tomar duas ou três aulinhas por semana de Língua Pátria lá no palácio mesmo com seu irmão Frei Beto. Aposto que ele ia até gostar de conhecer o idioma que ele, estabanadamente, tenta articular. Daria melhor exemplo para a juventude verde-amarela. Não estou brincando. Nem ironizando.


Herro di purtuguêis, todus nois cométi. É normal. Mais um a cada frasinha besta que sai da boca dele... aí é dimais da conta, sô!!!


Telecurso 2000 no Excelentíssimo. Já!

Escrito por Marcelo Tas às 13h30

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27/04/2005

AMÉRICA LATRINA: REPÚBLICAS DOS BANANAS



Meninada,

Um amigo acaba de chegar de Equador e Colômbia, o eixo da recente bananada. É triste o relato. Segundo ele, quem se sente ameaçado pela violência em São Paulo e Rio, comparado com los hermanos vizinhos, vive em Zurique. Lá, as pessoas são revistadas até para entrar no cinema. Os restaurantes eliminaram as mesas nas sacadas ou janelas para a rua. Os fregueses podem ser metralhados a qualquer hora da noite ou do dia.

O triste nisso tudo é que cada governante cretino e fascínora como o tal Gutierrez, em asilo político no Brasil, foi eleito pelo povo! Ou seja, o movimento que o depôs está tentando aperfeiçoar a democracia, mas é importante ter conciência que somos nós, os latrino-americanos que votamos nesses senhores.

Eles são a nossa cara.

Vamos assumir isso para começar a conversa.

Agora vamos mexer o traseiro e mudar de banco, como aconselhou o Lula.

Escrito por Marcelo Tas às 20h05

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25/04/2005

PÓS COITO



Meninada,

Ufa... Duas noites no palco, praça cheia, 15 mil pessoas por dia. Posso dizer que pela primeira vez sinto uma pontinha do gosto que esses danados desses roqueiros devem sentir numa segunda-feira. Posso assegurar, que é uma sensação muuuuuuuuuito legal.

Prá quem não viu, a boa notícia é que vai virar um especial da TV Cultura. Aguardem...

Agora, dá licença que vou desmaiar de volta na cama. Até amanhã.

Bjs.

Escrito por Marcelo Tas às 09h25

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22/04/2005

NO FINAL DE SEMANA EM MANAUS: ZAP 2, O RESUMO DA ÓPERA



Crianças,

Desculpem o sumiço. Estou empenhado em levantar o ZAP 2, o Resumo da Ópera, espetáculo que abre no próximo sábado, dia 23, o Festival Internacional de Óperas do Amazonas.

Tudo se passa num gigantesco televisor, que transmite ao vivo para a praça em torno do Teatro Amazonas, os 400 anos de história da ópera, em menos de duas horas, para cerca de 20 mil pessoas.

Ufa, minha estréia num mega show de rock. Só que a música é de gente heavy metal como Mozart, Rossini, Verdi e Wagner. Peço que as almas sensíveis, rezem por mim. Os que não gostam de música, podem continuar falando do Grafite ou do Itamar, quero dizer, do Bento.

Obrigado pela participação intensa aqui

Espero que sair vivo dessa experiência radical.

Até +.

Escrito por Marcelo Tas às 03h22

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19/04/2005

RATZENGER E ITAMAR



Estranho. Assistindo a "posse" de Ratzenger, um pensamento cruzou com muita clareza a minha frente. Será que é o sinal de que o próximo presidente do Brasil é Itamar Franco?

Escrito por Marcelo Tas às 21h31

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AECINHO NO RODA-VIVA

No Roda-Viva, da TV Cultura, da última segunda feira, o "jovem" e impetuoso governador de Minas Aecinho desmentiu o Fantástico, onde médicos disseram que Tancredo se auto medicava. Ainda no programa da Globo, os médicos revelaram que foram pressionados a falsificar o diagnóstico, para abrandar o choque da notícia com a gravidade da doença do político mineiro, nunca empossado presidente.


20 anos depois, esse papo "plantão médico" só serve para reforçar uma coisa: fizeram de tudo para que Tancredo virasse, depois de um carreira pendular, cheia de acordos duvidosos com gregos e goianos e até com o PFL de José Sarney, um presidente santo, um herói brasileiro, coisa que ele nunca foi.


Aliás, outra grande revelação trazida pelo Fantástico, mas ainda não comentada por ninguém, é a imagem do túmulo de Tancredo em São João del Rey, onde está escrito: "Tancredo Neves, presidente ELEITO do Brasil".


Faltou dizer eleito por quem. Por mim ou você é que não foi.

Escrito por Marcelo Tas às 10h11

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ANGELI (Folha, 19/04/05)

Escrito por Marcelo Tas às 07h52

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17/04/2005

O RACISMO: DENTRO E FORA DE NÓS


Cacilda, o racismo provoca mesmo nossas angústias e besta-feras interiores. Avalio que o debate nos dois posts abaixo, recordistas absolutos em comentários, foi muito bom. Apesar de muita gente neurótica, perdida no meio desse assunto importante.


Pra encerrar, publico aqui um artigo publicado na revista Superinteressante deste mês, como sempre muito bacana, escrito ANTES do episódio. O Eduardo Szklarz, que inclusive mora em Buenos Aires, resume bem o que eu penso do assunto.


..::..


Brasil 0 x 1 Argentina


É difícil de acreditar, mas enquanto esculhambamos os argentinos, eles têm enorme carinho por nós



Por Eduardo Szklarz*


É a cena brasileira por excelência. No bar, na casa de amigos, tanto faz. Basta eu dizer que estou morando na Argentina para que todos lancem um olhar surpreso, misto de escárnio e piedade. "Argentina? Mas que diabos você está fazendo lá com aqueles insuportáveis?" Já escutei de tudo. Que os argentinos são os europeus que não deram certo, que são um bando de arrogantes, que nos chamam de "macaquitos" e por aí vai. A maioria diz isso sem nunca ter conhecido um legítimo exemplar dessa espécie controvertida. Não importa. Ser brasileiro requer o cumprimento de apenas três dogmas: gostar de feijão, acreditar piamente que Pelé é melhor do que Maradona e ter birra de argentino.


Intrigado com a polêmica, parti para uma pesquisa de campo. Queria investigar o que existe debaixo daqueles (montes de) cabelos. Nesses dois anos em solo inimigo falei com gente de todo tipo: taxistas, médicos, padeiros, artistas, estudantes, garçons... e confirmei minha hipótese. Parece difícil de acreditar, mas enquanto esculhambamos os argentinos, eles têm enorme carinho por nós. Não é mera impressão minha. A simpatia pelo Brasil está nas televisões, escolas, centros culturais. Quando sai comigo à noite, um amigo que morou no Brasil só fala em português e se finge de brasileiro para ser bem tratado - inclusive pelas mulheres. As ruas estão cheias de bandeiras brasileiras e a moda aqui é usar sandália havaiana. Seja sincero: você sairia por aí usando chinelo com bandeira da Argentina?


Seria cômodo dizer que essas diferenças refletem as contradições entre o tropicalismo e o europeísmo. Ou que é tudo fruto de nossos desencontros lingüísticos e históricos. Mas me permitam ir direto ao ponto: os brasileiros pararam no tempo. Insuflado por locutores e comentaristas esportivos, o antiargentinismo extrapolou o mundo do futebol e talvez seja hoje o único caso de unilateralismo brasileiro. É produto de um Brasil tacanho, preconceituoso. No fundo, dizer "odeio argentinos" não é menos discriminatório que dizer "odeio negros" ou "odeio homossexuais". Quem persegue boleiros argentinos simplesmente por serem argentinos não pode reclamar quando espanhóis xingam Roberto Carlos não por suas qualidades como jogador, mas pela origem mulata.


Sempre seremos rivais no futebol, mas não precisamos limitar nossa relação à velha briga boleira. Os argentinos, mais inteligentes, já se deram conta disso. Eles cantam as músicas dos Paralamas do Sucesso, jogam capoeira, viajam pelo Brasil e estão aprendendo português. As rádios dedicam programas à nossa música. Charly García, o cantor mais popular do país, conclama os argentinos a levantar o astral e se espelhar em nós, lembrando que la alegría no es sólo brasilera na música "Yo no quiero volverme tan loco". Os brasileiros mal sabem citar uma banda argentina. Mas adoram ficar exaltando a esperteza do samba ante a melancolia do tango - mesmo sem nunca ter ouvido falar nas chatinhas, mas festeiras, cumbia e chacarera. Como todo país de dimensões continentais, é natural que o Brasil seja autocentrado. Mas mesmo os Estados Unidos são mais permeáveis à cultura mexicana do que nós em relação à dos nossos vizinhos. O brasileiro comporta-se igual a um caipira americano, daqueles que acham que a capital do Brasil é, ironicamente, Buenos Aires.


O erro está em concebermos sociedades estáticas. Durante um tempo, a Argentina parecia de fato um pedaço da Europa por estas bandas pobres. No início do século 20, entraram quase 300 imigrantes europeus para cada mil habitantes, o triplo da média americana. Os salários no país superavam os da Inglaterra. Talvez venha daí a arrogância que gerou antipatia no resto do continente. Mas se existe algo positivo nas crises econômicas que os argentinos têm vivido é a maior consciência de serem latino-americanos - até porque os imigrantes de hoje vêm da Bolívia, Peru e Paraguai.


A rivalidade Brasil x Argentina pode até existir entre alguns líderes políticos e militares, mas não entre os povos. Porque rivalidade, segundo o dicionário, significa competição, oposição, luta. E não há nada disso do outro lado da fronteira. Somos nós que estamos tentando provar que o ditado "se um não quer, dois não brigam" está errado. Estamos empenhados em arranjar confusão com um povo que só quer se divertir conosco.


*É jornalista, tem 31 anos e cursa mestrado em relações internacionais na Universidade Torcuato Di Tella, em Buenos Aires 






Os artigos publicados nesta seção não traduzem a opinião da Super


Publicado na Edição 212 - 04/2005


 

Escrito por Marcelo Tas às 22h32

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