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31/10/2005

MP DO BEM?



A realidade fica cada vez mais líquida. Escorre pelos dedos.

Deve ser essa a razão de não nos espantarmos mais com expressões como "MP do Bem". Nem com velhinhos espertalhões como Carlos Heitor Cony, paladino da justiça por escrito, mas mensalista de R$ 19 mil paus por mês do meu, do seu, imposto, porque ele foi "perseguido" pela ditadura... E a geração atual quando ficar velhinha, vai ter direito a indenização por ter sido submetida às baboseiras espalhadas pelo dito cujo em artigos de jornal e obviedades ruminadas no rádio?

A revista Veja tem defeitos, mas é uma das poucas publicações (cadê os combativos companheiros da imprensa de "esquerda"?) que tem coragem de cutucar essa barbaridade na edição dessa semana, quadro publicado acima. Mostra que no Chile, essa picaretagem não teria vez.

Mas voltemos à MP do Bem. Se aceitamos esse nome, isso quer dizer que admitimos imediatamente todas as outras como MP do Mal? Ou não?

Mesmo com esse nome, a MP do Bem contempla muito pouca coisa. Dá um descontinho de menos de 10% por exemplo nos computadores. E apenas nos abaixo de R$ 2,5 mil reais. Daqui a alguns anos vamos morrer de vergonha de taxar e perseguir computadores no aeroportos brasileiros como se fossem drogas ou caixas de uísque. Aliás, bastante simbólico os supostos dólares cubanos virem em caixas de uísque. É a cada dos "cumpanheiro".

Escrito por Marcelo Tas às 19h23
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28/10/2005

ACAREAÇÃO: MELHORES MOMENTOS




Me perguntam (e como me perguntam!): não vai falar sobre a acareação?

Poucas novidades. A confirmação de apenas uma evidência: é alta a pilantragem.

E mesmo com tantos craques no assunto na sala, o melhor momento ficou por conta do presidente da CPMI, o senador Amir Lando. Muito descontraído (de onde os políticos tiram esse "joi de vivre"?), quando alguém tentava marcar algo para a próxima semana, mandou essa:

- "Proxima semana, não! Segunda é feriado (?). Terça, a gente enforca. Quarta é feriado. Quinta, enforca... Pronto, vamos deixar para a outra semana", disse ele, desprezando a pobre sexta-feira, automaticamente já deletada junto com o final de semana. Afinal é hora de descansar de tanta labuta.

Aliás, eu estou exausto, bom fim-de-semana a todos.

Escrito por Marcelo Tas às 08h41
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27/10/2005

PT: EMBROMAÇÃO ELEITORAL GRATUITA




Pela reação petista no post abaixo, dá pra imaginar o nível da campanha eleitoral 2006. Aliás, ela já começou. A propaganda eleitoral gratuita que vejo enquanto datilografo essas linhas é simplesmente inacreditável: está tudo azul, os preços estão caindo, a educação vai muito bem, a segurança nem se fala e a saúde, me informa agora o rapazinho que descolou um cachê para sorrir no vídeo, está ajudando muito a população.

Como eu sou brasileiro e não desisto nunca, peço desculpas aos petistas que se sentiram ofendidos de maneira pessoal no post abaixo. Reli e confirmo que lá não há nada pessoal. Não há preconceito. É um conceito. O PT é uma grande decepção. Não sou o único que reconhece isso.

Se alguém aí se interessa em entender de fato onde fica o buraco, republico aí abaixo, texto de Sílvio Meira, cientista e professor-titular da Universidade Federal de Pernambuco, que você pode ler na íntegra em: www.meira.com.

..::..

INOVAÇÃO? PRA QUÊ?

No Brasil nem tudo está perdido, ainda há muita coisa a perder... Parte de uma música do cearense Falcão, a frase sintetiza nosso estado de coisas, de perdas, principalmente de tempo. De tentar entender porque, liderando o mundo no uso de orkuts, fotologs e skypes, nenhum deles foi construído aqui e, muito menos, desenvolvido como negócio mundial a partir daqui. Custa a crer que sejamos mesmo um povo inovador. Ainda mais quando um número surpreendente de jovens, formados nas melhores escolas de tecnologia, a um custo dantesco, está em busca da "segurança", "futuro" e "aposentadoria integral" de um cargo periférico no serviço público. Onde será que erramos tanto?

As próximas décadas serão de um avanço feérico da ciência e tecnologia, tanto quanto da complexidade dos problemas que teremos que tratar. Como diminuir a velocidade de um furacão ou, melhor, evitar seu nascimento, se é que é possivel? Talvez não; mas se eles estiverem relacionados com o aquecimento global, não basta se tirar tal conclusão. Há que se gerar as alternativas - tecnológicas, em sua vasta maioria - para o tipo de consumo de energia que estamos, hoje, perpetrando contra o planeta. Noutro departamento, células de combustível irão substituir parte da energia que usamos hoje, de fontes fósseis ou não. O Brasil não tentou registrar nenhuma patente, na área, nos EUA, nos últimos cinco anos. O Japão tem mais de quinhentos pedidos. Inovação vai depender, mais do que hoje, da capacidade de formação e absorção de capital humano muito sofisticado e os países serão separados pela qualidade e penetração do sistema educacional e pelo grau de geração de oportunidades para os que por ele passarem. Muito mais do que hoje.

A "lógica" do nosso desenvolvimento, se é que há alguma, é no mínimo estranha. Parte-se do princípio, contrário às evidências, de milagres e messias... que abririam as portas de céus, incluindo o mercado mundial. Aliás, soma-se a isso uma boa dose de irresponsabilidade e a crença, irredutível, de que Ele é brasileiro. Aí vem a aftosa e a vaca vai, literalmente, sendo enterrada no brejo. No embate entre a produção básica de proteína e a criação de condições para tal, a margem de lucro está nas tecnologias, nas ferramentas, e não no frango, na granja e no abatedouro, como veremos muito em breve na gripe das galinhas. Pensar em "lógica", quando se discute desenvolvimento, é pura perda de tempo. Desenvolvimento depende, de maneira fundamental, do aumento de produtividade, cuja fonte é inovação, coisa de companhias e que acontece no mercado. Laboratórios de universidades e centros de pesquisa não inovam, pois o teste de idéias, conceitos e resultados teóricos é a vida real: cria-se, ou não, produtos e serviços pelos quais o público quer pagar?

Oitenta por cento dos pesquisadores brasileiros estão nas universidades e centros de pesquisa. No mundo que nos vende propriedade intelectual, oitenta por cento está na indústria. Lá, governos criam todos os tipos de condição e contexto para que se desenvolva os produtos de amanhã. Que nós importaremos, a troco de muita soja, carne e frango (se houver...), depois de amanhã. Pois aqui, a Lei de Inovação vai completar um ano sem nenhum indício de aplicação; recentemente regulada, tem um forte componente de normalização de relacionamento entre a academia situada nas universidades federais e um suposto mercado privado interessado em utilizar serviços de seus laboratórios e consultoria dos seus pesquisadores, mas não se ouviu falar no que realmente interessa, que é dinheiro vivo no caixa das empresas, para enfrentar a concorrência internacional com produtos inovadores, como se faz, de novo, nos países que nos vendem propriedade intelectual.

Inovar é, antes de tudo, um ato de ruptura. Fala-se tanto em refundação, por aqui, que talvez devêssemos refundar o país. Simplificado. Com uma Constituição muito pequena. Com menos leis e regras. Menos governo. Muito menos. E mais atenção ao mundo real ao redor. Neste mundo muito real, espera-se que o governo cumpra seu papel magistral fazendo apenas três coisas: eduque gente, em quantidade e qualidade, crie oportunidades para este povo educado se desenvolver na economia e na sociedade e, por fim, saia da frente e não atrapalhe a iniciativa privada tanto física quanto jurídica. Senão seremos sempre um país de benesses, cartórios e bacharéis. Que carece de qualquer tipo de inovação. Pra quê?...

Escrito por Marcelo Tas às 19h49
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DICA CULTURAL



Essa é para a molecada de São Paulo:

No final de semana, tem ensaio aberto na moita de um espetáculo que reúne um trio da melhor qualidade: a atriz Maria Luiza Mendonça, a roteirista Chris Rivera e a diretora Lais Bodansky. Mulheres superpoderosas de idéias, elas estão fora de cena, produzindo, escrevendo e dirigindo... imagina o que vai acontecer no palco.

Imperdível.

Escrito por Marcelo Tas às 19h06
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26/10/2005

A MORTE E A MORTE DE CELSO DANIEL

 

Um amigo querido, confiável, que privou da intimidade da cúpula do PT por algumas semanas, me garantiu (o rapaz tem uma sensibilidade e antena poderosas) que o homem mais correto que ele conheceu por ali foi Gilberto Carvalho. Depois dessa lamentável sessão de hoje, minhas esperanças de encontrar alguma vida inteligente e até humana dentro desse conglomerado de ignorantes e incompetentes se reduz a zero.

Ou próximo de zero, pois ainda me resta o Senador Suplicy. Peço encarecidamente a ele que não me decepcione. E trate de sair do partido assim que possível.

É uma vergonha, para usar uma palavra caridosa, do começo ao fim, a covardia e o pragmatismo com que o Partido dos Trabalhadores tratou a morte de Celso Daniel, desde o princípio. Culminando com a lamentável sessão de acareação entre o travado, frio e calculista Gilberto Carvalho e os irmãos do político assassinado.

Desculpem-me o enxame de petistas que frequenta esse blog. Aliás a maioria deles, não por acaso, passam por aqui só para xingamentos grosseiros, covardes e anônimos. Compatíveis com o nível cultural dominante naquela falecida agremiação.

Meus pêsames aos "cumpanheiro".

 

Escrito por Marcelo Tas às 17h46
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25/10/2005

ZÉ: O BAGRE ENSABOADO



Perplexo com si mesmo, Zé Dirceu é um pobre diabo em busca de alma e identidade. Ontem à noite no Roda Viva, ele continuou sua saga de tentar nos convencer, incluindo ele mesmo, de que é "Inocêncio".

Enquanto isso, os meus colegas repórteres da bancada tentavam, em vão, pegar bagre ensaboado com perguntas lógicas e sensatas. Ora pessoal, uma pessoa em transe, que acredita em coelhinho da Páscoa, deve receber perguntas mais básicas. Aposto que ele não consegue responder a uma simples indagação. Responda rápido: qual é o seu nome?

Afinal Zé acredita, inclusive disse isso no programa, que até Dezembro de 2002 ele era do PT. E no minuto seguinte, não tinha nada mais a ver com tudo que aconteceu no partido. Incluindo o mar de lama trazido pela campanha eleitoral vitoriosa da qual ele foi o coordenador-chefe. A partir de 7 de Dezembro (acreditem, o Zé disse literalmente isso) virou outra pessoa, passou a ser do "governo" (com aquele erre bem aberrrrrrrrrrrto, falso caipira). É um caso de psicopatia evidente.

Taí justamente o crime "sem provas" que cometeu o nosso Super Zé: confundirrrrrrrr parrrrrrrrtido com goverrrrrrrrno.

Escrito por Marcelo Tas às 10h40
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24/10/2005

TIRO N'AGUA



Um monte de gente me pressionando para comentar o reverendo, quer dizer, o referendo.

O resultado dele é tão esperado quanto inútil. Não altera em nada daquilo que já comentei aqui. Mas já que insistem, o Não para mim significa:

- mais uma derrota do Lula
- que estamos inseguros
- que estamos de saco cheio
- que somos pouco evoluídos espiritualmente
- que o debate foi ralo

Você aí é convidado a acrescentar outros significados do não. Clique!

Escrito por Marcelo Tas às 19h05
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VOCÊ SABIA?



Cada ser humano é responsável, em média, por 4 toneladas de gas carbônico lançadas na atmosfera por ano. Isso inclui, avião, ar-condicionado, automóvel, pum, etc...

Cada norte-americano, seres humanos governados por Bush, lançam 25 toneladas, mais de cinco vezes a média mundial! Daí eu vejo as fotos do Wilma, nome da mais recente manifestação da natureza por lá, e penso: será que precisa de um sinal mais claro do que esse pros caras pararem de dirigir seus SUVs?

PS: SUV é aquele tipo de camionete gigante, de altíssima potência e pilantragem, que sozinha joga na atmosfera 5 toneladas/ano de caquinha.

Escrito por Marcelo Tas às 11h42
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22/10/2005

QUAL A IMAGEM DA SEMANA?



Diante dessa semana de acontecimentos bizarros, fiquei em dúvida: qual das imagens mostra a verdadeira cara do Brasil deles?

1. Juiz do STF cumprimentando com euforia o advogado de Maluf (capa de O Globo)

2. Maluf solto! (cada da Folha)

3. Delúbio comemorando 50 anos no sítio (Foto de Dida Sampaio, O Estado de São Paulo)


PS: Não quero influenciar ninguém, mas diante do bermudão, do barrigão e do jorro de água do caminhão pipa da prefeitura de Buriti Alegre, interior do cerradão de Goiás... não tenho dúvidas... Vou teclar 3.

Escrito por Marcelo Tas às 15h32
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19/10/2005

MEU VOTO: SIM



A quem interessar possa: apesar de ser contra esse referendo inócuo, voto sim.

Lamento esta propaganda nojenta que nos empurra a acreditar que sim é não. E que sim quer dizer paz, e não violência.

Meu ponto é o seguinte: o que importa, e o que foi esquecido nesse governo, infelizmente, é educação e cultura. Relegadas a um segundo plano. Apontando para que o Brasil permaneça ignorante e elegendo os mesmo imbecis de sempre. Abaixo o projeto de educação desse governo bêbado. Abaixo o projeto de Cultura desse ministro cheio de ginga e marketing. Perdemos uma ótima oportunidade de inaugurarmos um governo realmente popular para servir aos desfavorecidos. Só vimos propaganda. E de péssima qualidade.

Mesmo assim, voto sim. Melhor desarmados que ligados à turma do fuzil e dos carros blindados. Vamos desarmar os espíritos e começar tudo de novo. De novo.

Foi a campanha eleitoral gratuita mais imbecil que já vi. Mas, repito, meu voto é sim.

Escrito por Marcelo Tas às 22h59
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ZÉ DIRCEU NOS TRATA COMO BOBOCAS



Rapidamente caminhamos para o final do ano. E começa a pererecar em todas as mentes a sensação vazia de que não vai acontecer nada. A história não vai aperfeiçoar o estado brasileiro. Mesmo depois do maior escândalo e decepção que o país já viveu, maior do que a doença de Tancredo: a morte do PT. Pelo menos como o conhecíamos antigamente, um partido honesto, formado por homens simples, alguns até bem toscos, analfabetos, éticos e etílicos.

O sacerdote-mor dessa lorota se chama Zé Dirceu. Manco da cabeça (desculpem-me os legítimos mancos), continua a pedir "provas" da sua sagacidade ilegal. Para mim, a primeira prova já basta, as reuniões, já comprovadas, dos gênios do mensalão, Delúbio e Marco Valério, na sala dele, dentro do Planalto, nas barbar grisalhas de Lula. Precisa de mais o quê?

A decepção pela cara-de-pau dos que insistem em nos iludir, como Zé Dirceu, está em todas as mentes. Como na imagem que recebo de Vlady Oliver, videodesigner TV VITÓRIA, do Espírito Santo.

Escrito por Marcelo Tas às 07h31
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16/10/2005

OUTRAS PERGUNTAS PARA O REFERENDO



Crianças,

Alguém aí pode me explicar por que o estado brasileiro gasta R$ 270 milhões de reais com o referendo para se responder à apenas UMA pergunta?


Já que resolveram gastar essa grana, encher o nosso saco, ocupar a TV e o rádio, interromper aulas nas escolas a partir de sexta feira próxima... vamos aproveitar e fazer logo OUTRAS perguntas mais objetivas e urgentes para resolver de uma vez por todas dúvidas cruéis que tanto incomodam a nação.

Tipo:

- Lula sabia?

- Zé Dirceu deve ser cassado?

- Você acha que o governo deve destinar mais verbas para a Educação e "menas" para a publicidade?

- Lula deve aprender a falar corretamente o português?

- Afinal, o professor participou da suruba?

- Robinho no lugar de Adriano?


( ) SIM
( ) NÃO


Pronto, economizamos tempo, dinheiro e tinta dos jornais e revistas.


E você, tem alguma outra pergunta para o referendo? Ainda dá tempo, é só clicar!

PS: a idéia e estas perguntas acima surgiram ao longo da temporada da peça "Como Chegamos Aqui?- a História do Brasil Segundo Ernesto Varela", que estou apresentando até dia 13 de novembro, no Rio de Janeiro (www.comochegamosaqui.com.br)

Escrito por Marcelo Tas às 11h26
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