
2005, ano bem complicado para se fazer um balanço. O finado ministro Rogério Magri diria que é um ano imbalançável.
Mas, pensando bem, há um personagem atuante em cada minuto desse capítulo inusitado da nossa História que praticamente passou desapercebido pelos atentos olhos da mídia. A ele, minha homenagem. A personalidade do ano, sem dúvida, é Aldo Rebelo, atual presidente da Câmara dos deputados. Sertanejo, comunista, filho de vaqueiro, criado na fazenda de Teotônio Vilela, o menestrel da política brasileira no século passado, na zona da mata alagoana.
Aldo, lembram-se?, sucedeu Zé Dirceu quando este se enroscou com o "suposto" mensalão no começo da crise. Assumiu então o cargo de (des) articulador político do (des) governo Lula. Rebelo agora fecha 2005 com chave de ouro convocando extraordinariamente o Congresso para trabalhar nas férias. Queima nessa tacada R$ 95 milhões. Queimadura que ele divide com o incrível Renan Calheiros, atual presidente do Senado e ex-golden boy do ex-presidente Collor.
Dos 594 parlamentares, apenas 4 compareceram à primeira sessão "extra" de trabalho semana passada. Sim, crianças, os parlamentares entraram em férias dia 15 de Dezembro passado. Só voltariam ao batente dia 15 de Fevereiro próximo, uma semana antes do carnaval. Ou seja, trabalho mesmo seria só em Março. Nossos congressistas tiram mais férias do que criança de pré-escola. São incríveis TRÊS MESES por ano! Mesmo convocados para trabalhar de forma "extraordinária", ao custo percapita de R$ 25.694,40 a mais pela convocação, o equivalente a dois salários além daqueles tantos outros que eles tem direito, décimo terceiro, auxílio moradia, auxílio paletó, etc... eles simplesmente não apareceram. Mataram aula!
Até o sempre alerta Aldo Rebelo estima que mesmo convocados, e pagos para trabalhar de forma extraordiária, os ilustres Deputados só devem chegar a Brasília dia 15 de Janeiro. Daí trabalham extraordinariamente até dia 14 de Fevereiro. Antes disso, precisam descansar na virada do ano, junto aos seus redutos eleitorais. Afinal, ninguém é de ferro, não é mesmo?
Ai, ai, ai... que canseira. O que fazer? Que descansem em paz.
Então, vamos resumir assim. Para mim, o ser humano que encarna o surrealismo brasileiro e o caos político de 2005 é ele: o comunista desarticulador Aldo Rebelo.
E você, aposta em outro nome?
PS: ilustração enviada por Zérramos.