
Agradeço imensamente os comentário preciosos e precisos abaixo. Vocês já falaram quase tudo o que eu gostaria de dizer sobre o debate que não assisti ao vivo na TV, mas depois on-demand aqui no UOL.
Na verdade peguei o finalzinho ao vivo na TV quando cheguei em casa do teatro. Vi Lula vermelho, olhos injetados de ódio, agradecendo aos telespectadores da "Rádio" Bandeirantes. Ficou evidente que o presidente não esperava a performance caliente, digna de uma Heloísa Helena, do seu opononente.
O outrora candidato "chuchu" chegou a chamar o presidente de "mentiroso", cara-a-cara. Uma atitude eloquente até agora esperada mas não concretizada nesta campanha. Mesmo porque Lula não foi aos outros debates.
A falta de treino de falar livremente e em condições "normais" sem ser bajulado por subordinados, fez até mesmo Lula cometer a deselegância de não cumprimentar os telespectadores na sua primeira intervenção. Já saiu atirando e se defendendo. Diante da cobrança direta sobre o dossiê, Lula conseguiu responder: "Eu não sou policial, sou Presidente da República."
Assim se passaram os três primeiros rounds, com Chuchu batendo e Lula nas cordas. Na minha visão, o erro do Presidente foi justamente manter o discurso já combinado com os assessores. De repetir que o governador candidato (aliás, um termo claramente estudado de se referir ao adversário) tinha um "discurso decorado". Quando na verdade, aconteceu o contrário. Lula tirava e colocava os óculos buscando números nos papéis sobre sua bancada.
Lula deveria ter confiado mais no seu taco. Na sua rara sensibilidade para falar a língua do povo de improviso e virar o jogo. E ficar mais longe dos conselhos da sua trupe, agora desfalcada do cara que o coroou no primeiro mandato: Duda Mendonça. Quem viu o filme "Entreatos" de João Salles, sabe o quanto Duda fez falta ontem.
Aliás, bizarra a aparição de Marta Suplicy, agora Chefe de Campanha de Lula, nas entrevistas após o debate, dizendo que o candidato Geraldo era de "plástico". Quando a imagem na TV mostrava com nitidez resquícios desse material no rosto retorcido por cirurgias plásticas da ex-prefeita.
Nos últimos rounds, Lula se recuperou, mas o debate se tornou mais técnico. Menos quente. Na verdade, debate na TV serve primordialmente para sentirmos a pulsação da alma dos candidatos. Os olhos, os gestos, a espessura da voz são mais do que o meio, são a mensagem. Queremos sentir se o candidato está com medo, se está mentindo, se está sendo arrogante. Nisto o debate da Band foi excelente. Depois de anos, de debates assépticos, tivemos a largada da disputa eleitoral desse segundo turno em grande estilo.
Penso que teremos a partir de agora, uma campanha bastante disputada e aguerrida. Se Lula ainda tinha dúvidas sobre a força de seu adversário, ele deve agora estar tratando de abandonar de vez o salto alto.
Uma última observação. Faltou um ingrediente que poderia elevar, e muito, a elegância e inteligência do debate: o humor. Andei revendo o próprio Lula em outros debates. E também Brizola, Covas... e até Caiado e Maluf. Quando o ser humano se permite o uso do humor, sem apelar para o golpe baixo, quem ganha é a democracia e o eleitor.
Que a disputa continue aberta, direta e livre como foi no debate da Band, que está de parabéns.
Que vença o Brasil.