
Disse-me um passarinho que vive pela redação daquela revista, que a Veja recebeu grande quantiedade de e-mails questionando a mentira que publicou sobre a minha pessoa. Não tenho como comprovar a notícia trazida pelo passarinho. Mas deve ser verdade. Na edição que ainda está nas bancas, o pessoal da revista gastou quase meia página na seção de cartas para tentar justificar o porquê de não ter publicado a minha carta. O que, aliás, ainda não foi feito. Seria apenas um exemplo de mau jornalismo, não fosse uma atitude patética e engraçada pra caramba.
Para você que não lê aquela revista (tem gente que recebe, mas nem abre), vou relembrar: Veja afirmou que eu recebo dinheiro do filho do presidente Lula para defendê-lo aqui neste blog, que foi taxado pela revista de "Chapa Branca".
Para estudiosos de comunicação ou para quem tiver curiosidade de entender o método Veja de fazer jornalismo, publico abaixo o texto deles na íntegra.
O resumo do blablablá é o seguinte: quem se sentir ofendido por Veja deve ficar bem quietinho. Se a Veja julgar que errou, publica a sua carta. Senão, final de conversa. Vale a "verdade" autoritária de Veja.
O Brasil, especialmente a sua elite, é sempre surpreendente: se posiciona com certeza e arrogância pontuais na vanguarda do atraso. A revista Veja- ainda a maior semanal do Brasil- neste episódio deixa claro que desconhece e despreza a força da internet. Em plena era da comunicação total, Veja acredita que é possível mentir, agredir e sair impune sem ninguém ficar sabendo . Veja vai contra a liberdade de expressão. Ou melhor, Veja é a favor da liberdade de expressão mas só quando tal liberdade for a favor dela própria. Veja não se preparou para o século 21. Enquanto a revolução digital sacode o planeta, uns pobres diabos são pagos para ficar trancados dentro daquele predião deficitário na Marginal Pinheiros gastando neurônios para parir a próxima edição do tablóide de malvadezas e leviandades rasas que se tornou amargamente essa revista.
Os responsáveis pela revista não conseguiram até agora nem mesmo assumir a autoria do texto que me destratou. O autor da coluna onde foi publicada a agressão mentirosa, um certo Júlio de Barros, disse em entrevista ao portal Comunique-se que não foi ele. Apontou como responsável um certo Felipe Patury, que também tirou o corpo fora. Finalmente, Eurípedes Alcântara, diretor de redação da Veja, uma pessoa por quem já nutri respeito (acompanhava o que ele escrevia quando correspondente internacional, inclusive estive uma vez na casa dele quando ele era correspondente de Veja em Nova York), disse na mesma entrevista ao portal Comunique-se que o meu caso está sendo apurado. Mas que ainda não sabe dizer, 15 dias depois de publicada a matéria mentirosa, quem foi o autor da façanha. Que ironia, depois de ironizar e atacar Lula, com toda razão, durante a campanha presidencial com esse mantra, Veja usa a mesma frase para se esconder da responsabilidade: "eu não sabia"!
O Diretor de Redação de Veja encerra a entrevista garantindo que assim que a resposta for obtida, ele vai comunicar a descoberta ao Comunique-se. Como a equipe de apuração de Veja é competente e trabalha duro, vamos aguardar. Há esperança.
Deixo vocês com a tréplica que Veja fez a si mesma, sem publicar minha réplica. Os leitores dessa revista devem estar confusos. Ou mal informados.
Imagem: capa de Veja de Setembro de 1992, século passado, quando o mundo era mais simplório, dividido entre "bonzinhos" e "mauzinhos", época em que a revista chegou a prestar importantes serviços à sociedade brasileira.
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A SEÇÃO DE CARTAS DE VEJA
Marcelo Tas publicou em seu blog cópia da carta que mandou a VEJA reclamando do tratamento dado a ele em uma nota. Tas externou uma segunda insatisfação: sua carta não foi publicada por VEJA. O episódio nos dá a oportunidade de esclarecer os critérios para publicação de cartas com reclamações ou reparos às reportagens da revista.
A seção de Cartas é destinada ao diálogo entre a revista e seus leitores.
É um espaço também acessível a pessoas e instituições que se sintam atingidas de alguma forma por uma notícia ou comentário feitos pela revista.
Nesses casos, a revista tem seus critérios.
VEJA publica cartas de reclamação quando:
• A revista reconhece que errou.
• A carta aborda a questão de um ângulo diferente do adotado pelo redator e, ao fazer isso, ilumina a questão de modo que o julgamento da revista já não parece mais tão correto.
• A revista não consegue estabelecer com certeza se houve erro da parte da redação, mas considera que a carta contém elementos que trazem dúvida razoável sobre a correção do que foi publicado. Na dúvida, publique-se.
• A revista não reconhece o erro. Reconhece, porém, que a reportagem fez críticas desproporcionais ao fato relatado e julga que a publicação da carta coloca a questão em seu contexto exato.
VEJA não publica cartas de reclamação quando:
• A carta tem como objetivo principal advertir a revista de que a pessoa que se sente atingida vai recorrer à Justiça em busca de reparação moral ou material. Um exemplo é a carta de Marcelo Tas, que termina assim: "Fico no aguardo de uma resposta e do cumprimento das solicitações acima, sem prejuízo de outras medidas extrajudiciais e judiciais que visem à reparação do dano causado".
• O autor da correspondência, antes, dá ampla divulgação à sua carta comprando espaço em jornais ou a divulgando por meio de blogs ou páginas de internet.