
Numa prévia do que vem por aí, Paulo Maluf se levanta da tumba e consegue publicar uma carta na sessão de leitores da Folha de S. Paulo. É uma obra de arte para se apreciar com calma e distanciamento.
O tema é a cratera do metrô. Ou cratera do Geraldo, como eu batizei aqui.
O velho Maluf consegue num só texto, se colocar ao lado "da população" e das construtoras (que ele deve conhecer muito bem de outros carnavai$); além de alfinetar seus adversários políticos, é claro.
É impressionante a capacidade de sobrevida de Maluf. Aproveita para fazer comercial de si próprio e suas obras de engenharia, que nunca vazaram nem um "pingo" (a não ser os vazamentos financeiro$ que estão sendo apuradas na Justiça). É um mestre da comunicação e, porque não dizer, da cara-de-pau. É muito fácil entender porque mais de 700 mil paulistas cairam de novo na sua lábia de mascate que engoliu um dicionário de matemática.
É um texto didático, que merece ser lido como um presente de grego (ou de turco?) ao aniversário de São Paulo (com todo respeito à valorosa e simpática comunidade sírio-libanesa, que além da cultura e apreço ao trabalho, nos deram as melhores esfirras e quibes da paróquia)?
"Eh, São Paulo
Eh, São Paulo
São Paulo da garoa
São Paulo que terra boa..."
São Paulo, talvez a cidade mais odiada e amada ao mesmo tempo do mundo. Eu te amo e te odeio, SP, Feliz 453!
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Folha de S. Paulo
24 Jan 2007
Painel do Leitor
Metrô
"A tragédia no canteiro de obras da linha 4 do metrô deixa marcas profundas na história da cidade. Era uma tragédia evitável. Uma só lei não pode ser revogada: é a lei da gravidade. Quando vejo elogios a arquitetos famosos pela ousadia de seus projetos, eu, como engenheiro, louvo a competência dos calculistas de concreto. Executaram a obra do metrô a partir de um projeto que ignorou os riscos conhecidos do trecho ribeirinho do Pinheiros, onde tudo aconteceu...
Culpar as empreiteiras que executam as obras da linha 4 do metrô é inadequado e precipitado. São as mesmas empreiteiras reconhecidas internacionalmente por sua competência e que construíram obras da magnitude de Itaipu, de Tucuruí, de Carajás, da ponte Rio Niterói, do aeroporto internacional de Guarulhos, do aeroporto internacional Tom Jobim, do aeroporto internacional de Confins (MG), da rodovia dos Imigrantes, da rodovia Ayrton Senna (ex-Trabalhadores), de 80% das hidrelétricas brasileiras, de mais de 20 mil quilômetros de estradas e auto-estradas, que estão aí, sólidas, inteiras, sem apresentar problemas.
Culpar essas empresas é trabalhar a favor das multinacionais do setor, porque abala o conceito dos brasileiros na disputa pela concorrência de obras internacionais, onde nossa engenharia é respeitada e admirada."
Texto completo, para assinates da Folha ou UOL, "aqui".
Imagem: enviada por Eduardo Scrich, de Mogi Guaçu- SP. Inclusão de Maluf e seu amigo Pitta, que relevantes serviços prestaram à esta cidade, por minha conta.