O presidente Lula perde tempo consultando Delfim Netto sobre o PAC- Programa de Aceleração do Crescimento. Deveria pedir ajuda aos blocos do carnaval pernambucano.
Nos últimos três ou quatro anos, vários deles cresceram tanto, mas tanto, que agora enfrentam os duros ossos do hiper desenvolvimento.
O bloco “Enquanto Isso na Sala de Justiça” é uma das primeiras vítimas do mega superavit de sucesso. Seu baile de aquecimento- as famosas prévias de carnaval que já rolam por aqui há um mês- foi detonado por aqueles que torcem o nariz para o crescimento descontrolado com a devida enxurrada de novatos na folia de Olinda. Apesar de lotação esgotada, presenças ilustres, que inclui o carioca Marcelo D2, dizem que o "Sala" não é mais o mesmo. A conferir, domingo, quando os justiceiros ganham as ladeiras de Olinda vestidos com fantasias remixadas de super-heróis. Algumas hilárias, como o Superado, rapaz coberto de discos de vinil que desfilou o ano passado.
“Eu Acho é Pouco”, bloco veterano, completa 30 anos, de anarquistas e intelectuais de esquerda que combatiam a ditadura, viu todos seus ingressos esgotados irem parar nas mãos de cambistas que “capitalizaram” o sucesso do bloco. "Vendidos", esperneiam alguns críticos do “neoliberalismo” galopante do grupo. Exagero?
E vejam o drama do "Quanta Ladeira", bloco irreverente, criado despretensiosamente pelos músicos Lenine, Lula Queiroga, Zé da Flauta e amigos e amigos dos amigos. Ganhou tantos adeptos que seu último e único ensaio, antes da tradicional apresentação de domingo à tarde, vai ser realizado de portas fechadas e em local sigiloso. Uma prévia que vai ser testemunhada por “apenas” 800 pessoas, já que o lugar é “pequeno”, segundo os organizadores. Já está rolando uma discussão "arretada" sobre essa atitude dos organizadores do "Quanta", justamente no aniversário de uma década do bloco. A resposta aos queixosos, postada no Orkut por Lula Queiroga, um dos fundadores do bloco é uma pérola do clima de carnaval que já rola aqui (*). O blog está investigando o mistério e depois conta como foi.
Ninguém pensa nisso. Mas sucesso no Brasil muitas vezes é um problemão.
Alô Lula (presidente) liga pro Lula (Queiroga, do Quanta) para aprender como fazer crescer a massa.
(*) Não queremos justificar, mas…
por Lula Queiroga, aos queixosos do sucesso do "Quanta Ladeira"
Papo furado. é tudo que eu mais gosto na vida. Papo furado de vocês, papo furado dos amigos, papo furado dos componentes do bloco.
Nego fala em elitismo, nego fala em grana, nego fala qualquer merda, nego perde tempo. Isso é lindo. Tudo que uma troça sem espaço, que só quer cantar besteira e ficar bebo, pode desejar: pessoas preocupadas com a gente . Tem gente que gostaria de ver o Quanta como um megabloco nacional, lucrativo e competitivo. Tem gente que quer voltar aos primeiros anos, no quintal da Luni, nem era nada, gatas e gatos pingados, derramados pela grama, cheios de cachaça. Mas o tempo é o de agora e agora não tem um lugar físico, um terreno, onde o Quanta possa montar a troça e cantar suas putarias inocentes.
Ano passado foi um cu de boi na Fundaj em Apipucos, todo mundo insatisfeito, multidão se apertando do lado de fora. Esse ano a gente não ia fazer nada na quinta, ia passar em branco. Porque o interesse da gente nunca foi grana. Mas sào 10 anos, um brother amigo nosso cedeu um espaço que só cabem 800 pessoas. Vamos ratear entre os parceiros o preço da parada, ingresso baratinho mas que até a gente vai ter que pagar.
Estamos pensando em premiar algumas opiniões da comunidade com convites pra festa. Só é viagem esse papo de que o Quanta esqueceu do povo.Isso aí já é dramalhão.
Mas beleza. Tem mais que todo mundo se pronunciar e dizer o que é que acha. É carnaval,é conversa fiada, é papo furado.
Nosso assunto predileto. Valeu.
Imagem: Blog Soch, um dos protestantes quanto ao PAC avantajado dos blocos de Olinda.