
O papa Ratzinger é contra a camisinha, os gays, o rock'n'roll... Quer missa em latim e diz que segundo casamento é uma "praga" (fico imaginando o efeito que tal afirmação irresponsável deve ter na mente de filhos, mães, madrastas, padrastos e pais católicos brasileiros que estão às vésperas de receber a visita de sua "Santidade")
Depois de ouvir tamanhas pérolas saírem da boca do papa, resolvi rever um documentário da BBC, realizado em 2006, intitulado
"Sex, Crimes and the Vatican" (Sexo, Crimes e o Vaticano). Mostra a longa, inútil e dolorosa busca do jornalista Paul Kenyon por respostas da Igreja ao fato de padres e bispos terem sido flagrados abusando sexualmente de crianças em suas paróquias em lugares tão diversos como Boston (EUA), Ferns (Irlanda) e Anápolis (Brasil).
Na melhor das hipóteses, centenas de vidas foram arruinadas. Famílias destruídas e até mesmo excomungadas da Igreja como Dona Elza da Silva, de Anápolis, Goiás, que teve a "petulância" de denunciar o padre Tarcísio Tadeu Sprícigo que violentou o seu netinho de 5 anos em troca de aulas de violão.
A resposta da Igreja a tudo isso? Jogar a sujeira para debaixo do tapete. Desde 2005, sob as asas do então cardeal e agora papa Ratzinger, grande parte desses acusados vivem dentro do próprio Vaticano, em Roma, protegidos da Justiça de seus países .
Respeito todas as formas de religião. Mas, neste caso, é importante que se diga ao ex-cardeal Ratzinger que a hipocrisia que corrói a vossa Igreja, sua Santidade, é que é uma praga a ser combatida.
Fotos: imagens retiradas do documentário "Sex, Crimes and the Vatican", da BBC. No sentido horário: o papa Ratzinger, o padre Tarcísio Tadeu Sprícigo e o bispo Brendan Comiskey, os dois últimos comprovadamente violadores sexuais de garotos e garotas de suas paróquias em Anápolis (Brasil) e Ferns (Irlanda). Crimes que a Igreja reiteradas vezes tentou ocultar.
PS1: para saber mais sobre o caso do Padre Tarcísio, que encontra-se atualmente preso no Brasil, clique nos arquivos do
Senado Federal.
PS2: o internauta Wagner Moura, de São Luiz- MA, contesta o texto acima dizendo que o Papa não quis dizer "praga" e sim "chaga". Faz diferença?
Diz o Wagner: “'Piaga'— a chaga— é um termo que tem peso religioso específico. Por isso, diz o papa, o segundo casamento, posterior ao divórcio, é uma “piaga”, uma chaga, um suplício, um tormento, um sofrimento para os cristãos. Pois é... O Papa não falou em praga... Será que alguém vai se desculpar?"