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30/03/2007

Manifesto dos Controladores: chegamos ao descontrole total




Divulgado por fontes confiáveis, garanto, da FAB- Força Aérea Brasileira.

Resumo da ópera: o buraco é mais embaixo.

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Manifesto dos Controladores de Tráfego Aéreo

- A quem é atribuída as paralisações do tráfego aéreo em virtude de fenômenos naturais como chuvas e nevoeiros?

- Quem, ao tentar expor as verdadeiras situações do tráfego aéreo nos livros de ocorrências dos órgãos operacionais, sofre perseguições da chefia militar?

- Quem é acusado de insubordinado e sindicalista ao executar uma operação de segurança que consta em norma internacional de aviação civil?

- Quem é o principal suspeito ao ocorrer panes no sistema de comunicação, queda de energia ou overbooking de empresas aéreas?

- Quem é o profissional obrigado a monitorar vôos e milhares de vidas acima do recomendado pelas normas de segurança?

- Quem é o militar aquartelado sem o direito de protestar pela falta de operadores?

- Quem é o profissional que tem sua dispensa médica ou férias interrompidas pela convocação de oficiais superiores a fim de suprir a falta de operadores?

- Quem passa os dias trabalhando com equipamentos obsoletos e prejudiciais à saúde?

- Quem tem de se desdobrar para prestar serviço seguro quando ocorrem falhas de comunicação nas chamadas zonas cegas?

Para todas estas perguntas, uma resposta nos parece comum: o Controlador de Tráfego Aéreo.

Passados seis meses de crise, não há nenhuma sinalização positiva para as dificuldades enfrentadas pelos Controladores de Tráfego Aéreo. Ao contrário, as mesmas agravaram-se.

Não bastassem as dificuldades de ordem técnica-trabalhista, somos também acusados de sabotadores, numa tentativa de encobrir as falhas de gestão do sistema.

Nestes meses de crise passamos por diversas degradações, as quais já ocorreram várias vezes anteriormente, mas não em um espaço tão curto:

1. Queda do sistema de vigilância radar em Curitiba, devido tempestade;

2. Queda das freqüências do setor norte de Curitiba, devido raio em Campo Grande;

3. Queda das comunicações em Brasília (SITTI);

4. Vários fechamentos de Congonhas devido chuva forte;

5. Falta de aeronaves reservas para suprir panes em aeronaves no Natal;

6. Queda do sistema de tratamento de plano de vôo de Brasilia e

7. Pane no sistema de Aproximação por Instrumentos de Guarulhos

O único evento comprovado que houve relação direta com o profissional de Controle de Tráfego Aéreo, foi na semana de finados, quando não havia Controlador suficiente para compor as equipes operacionais. Nas demais degradações, NUNCA houve ato de sabotagem por parte desse profissional que trabalha para prover a segurança e não atos de terrorismo.

Apenas para lembrar a sociedade brasileira o evento da queda das comunicações de Brasília foi causado por imperícia de um Tenente da Força Aérea Brasileira, que não pertence ao quadro de Controle de Tráfego Aéreo.

Vale ressaltar que o acesso às salas técnicas é restrito não sendo permitida a entrada de nenhum técnico de outra área. Posteriormente o próprio Comandante da Força admitiu que o equipamento já estava "bastante desgastado".

O último evento em Guarulhos, o qual tanto o Presidente da República quanto o Ministro da Defesa, apressaram-se em levantar a tese de sabotagem outra vez. Infelizmente quem esta de fora e não recebe as informações corretas só pode pensar em sabotagem, mas a verdade mais uma vez veio à tona: desde fevereiro o equipamento aguarda liberação para seu uso. Uma investigação mais aprofundada irá comprovar que a anos que este equipamento apresenta falhas, assim como há vários outros pelo País afora com problemas.

Sempre reportamos as deficiências do sistema, mas nunca deram a devida atenção, acusando-nos de sermos críticos demais.

A incompatibilidade entre a vida militar e o controle de tráfego aéreo já foram denunciadas pela OACI, Organização da Aviação Civil Internacional, e pela OIT, Organização Internacional do Trabalho:

Segundo a OIT,

"A profissão de Controlador de Tráfego Aéreo é única e traz consigo características específicas que devem ser levadas em consideração e quando identificados problemas que se trate de buscar soluções."

"Os conflitos trabalhistas no controle de tráfego aéreo se devem a diversas causas. Em particular parece que existe uma correlação entre seu aparecimento e o reconhecimento inadequado da profissão; a qualidade do equipamento; a falta de capacidade dos sistemas para fazer frente aos períodos de pico de tráfego aéreo; assim como os problemas relativos aos salários e às condições de trabalho. Desta forma os Controladores devem participar, por meio de suas organizações representativas análogas na determinação de suas condições de emprego e de serviço. Além do que, os Controladores devem ser consultados sobre o desenho, a planificação e a aplicação das condições técnicas relativas aos sistemas de controle de tráfego aéreo."

O Brasil vive momentos inéditos de democracia e transparência com o resgate dos valores da ética, do respeito, com a coisa pública. aos direitos da coletividade, momento histórico que, repise-se não se coaduna com a "caixa-preta" que se tomou o controle de tráfego aéreo brasileiro.

Chegamos ao limite da condição humana, não temos condições de continuar prestando este serviço, que é de grande valia ao País, da forma como estamos sendo geridos e como somos tratados.

NÃO CONFIAMOS NOS NOSSOS EQUIPAMENTOS E NÃO CONFIAMOS NOS NOSSOS COMANDOS!

Estamos trabalhando com os fuzis apontados para nós, vários representantes de associações LEGAIS estão sendo perseguidos, com afastamentos e transferências arbitrárias. A represália do alto escalão militar contra os sargentos controladores tem gerado tamanha insatisfação que não suportaremos calados em meio a tamanha injustiça e impunidade aos verdadeiros responsáveis pelo caos. Clamamos por mudanças tão quanto os passageiros desesperados por soluções imediatas.

Devido a desesperança que abateu-se sobre os profissionais de Tráfego Aéreo a partir do dia 30 de março, os Controladores de Tráfego Aéreo do Brasil irão se auto-aquartelar e iniciar greve de fome até que o Governo atenda as nossas REINVINDICAÇÕES:

1. Fim das perseguições e retomo imediato dos representantes de associações e supervisores afastados de suas funções de origem;

2. Criação de uma gratificação emergencial para os Controladores de Tráfego Aéreo;

3. Início da desmilitarização conforme proposta do GTI com absorção voluntária da mão-de-obra dos atuais Controladores de Tráfego Aéreo militares;

4. Nomeação de uma comissão com representantes do poder executivo e dos controladores (civis e militares), a fim de acompanhar as mudanças no Tráfego Aéreo Nacional. Mudanças que devem ser assumidas formalmente pelo Governo Federal, já que ate o momento não há nenhum compromisso institucional neste sentido.

Escrito por Marcelo Tas às 19h49
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Jantando com Bush




Esta semana ocorreu o tradicional jantar da mídia que cobre Washington com o presidente Bush. Fico imaginando quando ou se teremos um dia esse tipo de humor e liberdade.

Acima, a animação feita pelos excelentes rapazes do Jib Jab, mostrando a diferença do noticiário de ontem e hoje.

Escrito por Marcelo Tas às 17h26
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Alo ministra Marta, comece pela Austrália




A imagem do Brasil lá fora anda mal, evidentemente.

Duro é ver no site do governo australiano, a verdade: cuidado com assaltos, tiroteios, atrasos de avião, controladores de vôo inoperantes... Assim, como fica o nosso turismo. Alo ministra Marta, clica aqui para ver o estrago.


PS: do Let's Blogar.

Escrito por Marcelo Tas às 01h01
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29/03/2007

Henri Sobel é detido nos EUA




Um certo Henri Sobel foi detido pelo xerife de Palm Beach, Florida, Estados Unidos por ter surrupiado gravatas de uma loja da loja da Louis Vuitton. A notícia foi publicada no jornal Palm Beach Daily News.

Apesar da foto acima lembrar, e muito, o rabino Sobel, presidente da Congregação Israelita Paulista (CIP), o mesmo nega que ele tenha sido a figura surrupiadora das gravatas. Promete entrevista em breve para elucidar tudo. Vai ter que caprichar na explicação pois o penteado e a cara de assustado é realmente muito, mas muito mesmo, parecida com a dele.

Será que nos dias atuais, nessa velocidade de informação e transparência, ainda devemos negar nossos erros e vaidades?

Escrito por Marcelo Tas às 21h09
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PFL vira Democratas, o Partido do Demo




O PFL- o velho Partido da Frente Liberal que surfa no poder desde a ditadura- comemora a mudança de nome. Contratou um webdesigner e um publicitário jovem e "esperto" e agora se chama "Democratas". Simples assim. O site agora tem videozinhos do YouTube e blogs.

Dizem que é a "renovação natural" do partido, a chegada dos jovens...

Sim, realmente. Dá para ver de longe os jovens. São eles: o deputado federal Paulo Bornhausen (SC), filho do atual presidente do partido Jorge Bornhausen; Rodrigo Maia (RJ), filho do prefeito do Rio, Cesar Maia; Efraim Filho, filho do senador Efraim Morais (PB); Felipe Maia (RN), filho no líder do PFL no Senado, José Agripino; e, last but not least, Antônio Carlos Magalhães Neto, cujo nome e sobre nome já dizem tudo.

Este é o "novo" PFL, rebatizado de Democratas. O suingado Deputado Aleluia gostaria que chamássemos o partido pelo apelido de "Democras". Desculpe, seu Aleluia, mas vou prefir chamá-lo de PD, o Partido do Demo.

Escrito por Marcelo Tas às 08h46
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28/03/2007

"Prioridade zero" não quer dizer piiiiiiiiiii nenhuma




Há pelos menos 6 meses, para não dizer mais de 6 anos, o Brasil vive a iminência de um "apagão aéreo". Lembro de uma entrevista para o programa Vitrine, na TV Cultura, quando eu ainda lá estava, onde um controlador nos dizia da possibilidade do sistema implodir por falta de manutenção e pessoal. Era o ano de 2001.

Diante de tudo isso, novamente, pela enésima vez, o presidente toma uma decisão: diz que o assunto "agora" é "prioridade zero". E a educação? Ficou em que prioridade?

Ou uma coisa é prioridade. Ou não é. Portanto "prioridade zero" não quer dizer piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii nenhuma.

Escrito por Marcelo Tas às 08h16
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27/03/2007

Miles Davis está entre nós




Atenção criançada,

Vamos fazer um minuto de silêncio e prestar atenção. A partir de hoje, está nas livrarias uma obra indispensável à educação dos nossos ouvidos e olhos cansados.

Se você um dia na vida teve que saber quem é Shakespeare, Picasso, Mozart... Chegou a hora de completar o necessário conhecimento sobre um dos gênios mais importantes da história contemporânea: o músico Miles Davis.

O livro "Kind of Blue- a História da Obra-Prima de Miles Davis", na sensacional edição da Editora Barracuda, é sobre um dos seus discos. Ou melhor, "o" disco. Aquele que é considerado até hoje o disco mais importante da música. Gravado em apenas duas noites, Kind of Blue é uma suspensão do tempo. Uma cápsula que usamos para respirar durante o século XX e que continua com validade para o XXI e além.

O livro é um passeio cuidadoso e detalhado do jornalista Ashley Kahn sobre as misteriosas histórias que envolvem a vida do trompetista mais inspirado que já existiu nesse planeta. É uma aula da história da música já que Miles Davis virou do avesso todos os gêneros musicais que conhecemos hoje. Inclusive o funk, o beepbop, inventou e depois negou o cool jazz, e até as levadas de rap e hip hop.

Um moleque danado, elegante, metido, que aos 22 anos recusou um convite de trabalho de Duke Ellington porque estava ocupado simplesmente com a missão de revolucionar a história da música. O que fez várias vezes.

Agradeço a papai do céu ter me colocado por duas vezes num show de Miles Davis: uma no extinto e saudoso Festival de Jazz de São Paulo; a outra no meio de uma floresta no Japão. Saí de ambas flutuando 50 cm do solo, ainda com a melodia do sopro preciso, gasto de energia extra zero, de Miles na cabeça. Este livro proporciona a mesma viagem. Aproveite. Nessa era de excessos e mau gosto, reeducar os sentidos é fundamental. Não perca essa chance.

Escrito por Marcelo Tas às 00h31
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26/03/2007

Censura no Amapá, de novo

Publico abaixo, carta aberta à população assinada por entidades amapaenses contra a contínua tentativa de calar os jornalistas daquele estado.

Lembram-se? Tudo começou com ele, o "beletrista" José Sarney, que conseguiu tirar do ar blogs que criticavam a sua candidatura ao Senado pelo Amapá (ué, mas ele não é do Maranhão?). A coisa continua tenebrosa por lá. É importante que todos nós, amantes da livre expressão nos manifestemos. Não é possível, que no meio dessa bandalheira institucionalizada que vivemos, ainda tentem cassar o nosso direito de indignação.

Desculpem, mas vou ter que tirar do fundo do baú uma frase necessária: Abaixo a censura!

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Querem calar os jornalistas amapaenses

Carta Aberta à População

ABSURDO 1: O SENADOR JOSÉ SARNEY
Durante a campanha eleitoral do ano passado, a jornalista Alcinéa Cavalcante publicou no blog alcinea.zip.net, um dos mais acessados no Amapá, uma nota sobre José Sarney, que concorria a um novo mandato de senador pelo Estado. Um internauta acessou o blog e deixou um comentário afirmando que José Sarney fede, fede muito. Que fique bem claro: o comentário foi lançado por um internauta, um leitor, não pela jornalista. Mesmo assim, o blog foi censurado e retirado do ar pelo provedor, no caso a UOL. Como se não bastasse, Alcinéa Cavalcante foi indiciada pela Polícia Federal e está respondendo a processo por injúria, calúnia e difamação.


ABSURDO 2: O DESEMBARGADOR HONILDO AMARAL
Censurada e vendo a sua liberdade de expressão cerceada, Alcinea Cavalcante lançou um novo blog, o alcineacavalcante.blogspot.com. Operando no novo endereço virtual, a jornalista ousou publicar a fotografia de um prédio que está sendo construído (suntuoso para os padrões amapaenses) pelo desembargador Honildo Amaral de Mello e Castro no centro de Macapá, mais precisamente na esquina da rua São José com a avenida Coriolano Jucá. O jornalista Correa Neto, outro profissional dos mais respeitados da imprensa amapaense, reproduziu a fotografia em seu blog (correaneto.com.br) e fez alguns comentários a respeito da grandiosidade do prédio em questão, argumentando que os recursos investidos na construção são incompatíveis com os ganhos do desembargador Honildo Amaral. Detalhe: o nome do proprietário está estampado, para que todos leiam, na placa da construção. Sentindo-se ofendido, o desembargador decidiu processar Correa Neto e Alcinéa Cavalcante por injúria, calúnia e difamação.


OS DONOS DO PODER QUEREM CALAR OS JORNALISTAS
Ações judiciais desta natureza (entendemos como assédio judicial) confirmam que a situação está ficando insustentável para os jornalistas amapaenses. Tudo indica que os donos do poder estão decididos a estabelecer uma indústria da indenização, firmada em perseguições e represálias a jornalistas. Não se pode mais denunciar ou noticiar nada. O profissional que ousar cumprir o seu papel de jornalista está sujeito a ser processado. É um absurdo o que está acontecendo. É cerceamento da liberdade de pensamento e expressão, coisa que não se vê no restante do país – um prejuízo ao estado democrático e de direito, diriam senadores e desembargadores comprometidos com a democracia.
A situação é greve e causará sérios danos aos profissionais de imprensa - e o pior deles é a intimidação. Vamos acionar o Congresso Nacional, o Tribunal Superior Eleitoral, o Conselho Nacional de Justiça e, se preciso for, a Anistia Internacional, para garantir a liberdade de imprensa e o direito da sociedade à informação. Processar Alcinéa Cavalcante e qualquer outro jornalista é pisar na história da imprensa do Amapá, uma história que independe de desembargadores e de senadores importados.


Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amapá
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Pará
Federação Nacional dos Jornalistas
Sindicato dos Servidores Públicos Federais
Sindicato dos Bancários Pará/Amapá
Sindicato dos Urbanitários
Conlutas
Associação dos Moradores do Jardim Felicidade I
Associação de Mulheres Empreendedoras
Associação Amapaense de Escritores
Articulação de Mulheres do Amapá

Escrito por Marcelo Tas às 08h36
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Hoje à noite: Tas no Jô




Para quem perdeu o ano passado- o programa entrou tão tarde que nem eu consegui ver- hoje, segunda, dia 26 de Março, tem reprise da minha entrevista no Jô Soares. Foram dois blocos, com direito a navegada por esse blog.

Escrito por Marcelo Tas às 08h26
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TV Pública: a receita do jardineiro

Crianças,

Abaixo vai o meu pitaco sobre o projeto da "Rede Pública do Poder Executivo, proposta pelo ministro Hélio Costa. Foi publicada na Folha de S. Paulo, no caderno Mais, ontem, 25 de Março de 2007.

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A TV tupi
Criação de uma rede pública de televisão no Brasil, a partir dos modelos da BBC ou RAI, esbarra no controle do Executivo e no excesso de pretensão

MARCELO TAS
ESPECIAL PARA A FOLHA

V ocês querem a BBC? No Brasil, somos colocados quase que diariamente diante da dúvida: será que vamos sair do buraco ou cada vez mais estamos acelerando em direção ao fundo dele? Essa dúvida bipolar me paralisou quando o ministro das Comunicações, Hélio Costa, apareceu para anunciar a rede pública de TV brasileira.
"Sensacional", pensei. Mas depois notei que o nome do projeto era "TV Pública do Poder Executivo". O ministro Costa argumentou que o presidente tem dificuldades para "mostrar suas idéias" nos canais privados. O colega dele, Tarso Genro, recém-empossado na pasta da Justiça, do alto dos seus bigodes ralos, completou a justificativa: falta "liberdade de circulação de opiniões".
Ora, todos sabemos que o lugar menos adequado para uma circulação livre de opiniões é justamente um veículo de comunicação controlado pelo governo. Ou alguém acredita que os cubanos podem circular suas opiniões no jornal "Granma"? "TV Pública do Poder Executivo" é um projeto que se autodesfaz no próprio nome. Ou a TV é pública ou é do Poder Executivo.

Faísca
A iniciativa do ministro Costa suscitou uma série de editoriais, artigos e debates, mostrando que o assunto realmente importa. Será que essa faísca, disparada neste momento de gigantesca mudança tecnológica, não é uma oportunidade histórica para discutirmos como aperfeiçoar o embrião de TV pública, iniciado pela TV Cultura de São Paulo e depois espalhado numa frágil rede de emissoras pelo Brasil?
Depois de ser levado às cordas pelo bombardeio de críticas, o ministro Costa retomou a argumentação sugerindo como modelo a BBC inglesa. Ok, excelente ponto de partida. Porém acreditar na possibilidade de uma BBC brasileira, com o nível pífio do debate atual, é o mesmo que acreditar que seremos capazes de produzir um grande vinho francês Bordeaux, digamos um Grand Cru Château Latour, nos vinhedos de Jundiaí, dentro de três ou 30 anos.
A BBC -British Broadcast Corporation- existe há 87 anos. É resultado de um longo e constante processo de pressão e articulação de forças entre governo e vetores da sociedade britânica. Já foi submetida a duros testes de independência. Até Winston Churchill e Margaret Thatcher já tentaram interferir na linha editorial da BBC, sem sucesso.
A velha Auntie (a tia), como a BBC é carinhosamente tratada por seus telespectadores, sobreviveu respondendo com aumento de eficiência e excelência de programação. Na última terça-feira, o ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência da República, me deixa novamente em dúvida bipolar. No programa "Observatório da Imprensa" (TVE-RJ), declara preferência pelo modelo da RAI italiana. Justificativa: "Quem indica o diretor de programação da RAI é o primeiro-ministro, que foi eleito pelo povo".
O raciocínio do ministro parece nos dizer que essa é uma forma democrática de a sociedade participar da TV pública. Acreditar nessa tese seria o mesmo que acreditar que foi a sociedade, e não o PMDB e aliados, que escolheu o novo ministério do presidente Lula. Nelson Motta também abordou o assunto em sua coluna na Folha (16/3). Motta simplesmente pede o fim das TVs públicas sob o argumento de que elas teriam audiências que "somadas, não chegam a um ponto de "share'". Que o querido Nelson me acompanhe no replay a seguir.

União de forças
Na década de 1970, num encontro de forças inédito, a TV Globo e a TV Cultura de São Paulo se uniram para produzir a versão brasileira do seriado norte-americano "Vila Sésamo", então apresentado na TV pública americana. Foi um marco da teledramaturgia infantil, um retumbante sucesso de público e crítica. Em 1990, no auge da era Xuxa, estreou "Rá-Tim-Bum", na TV Cultura. Em três meses, o seriado empatava em audiência com a loira da Globo. A série virou referência, ganhou prêmios internacionais e mudou a cara da TV infantil brasileira.
"Castelo Rá-Tim-Bum", a seqüência, estreou em 1995 e é reapresentada até hoje com altos índices de audiência. Aliás, na semana em que Nelson Motta publicou sua coluna, a faixa infantil vespertina da TV Cultura, mesmo combalida por reprises, chegou a 2,5 pontos de média. Atrás apenas de Globo, Record e SBT.
Mas talvez o melhor modelo para a rede pública de TV do Brasil deva ser aquele que os jardineiros ingleses recomendam para a obtenção de um excelente gramado: plantar e cuidar bem durante uns cem anos.

MARCELO TAS é jornalista, autor e diretor de TV. Participou da criação das séries "Rá-Tim-Bum" e "Castelo Rá-Tim-Bum", além do "Telecurso 2000" (Fundação Roberto Marinho/Canal Futura).

Escrito por Marcelo Tas às 07h40
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24/03/2007

Segunda-feira começam debates "Terra Sem Lei"




Criançada,

O grupo Argonautas, dirigido por Chiquinho Medeiros, como processo de construção de um espetáculo teatral está abrindo ao público sua série de encontros com figuras variadas da vida nacional sob o tema" "Terra Sem Lei".

Estive na última semana nos ensaios e posso garantir que algo em sincronia com o espanto que vivemos vem aí.

Serão apenas quatro semanas de debates abertos ao público. Nesta próxima, os Argonautas recebem as seguintes figuras:

Segunda (26/03): o escritor e rapper Ferréz; e a professora da FAU-USP Ermínia Maricatto.
Terça (27/03): Dramaturgista Iná Camargo Costa; e o psiquiatra Jacques Stifelman, uma figuraçara que merece ser conhecida de todos vocês


Horário: 20h00
Local: Casa de São Jorge
Rua Lopes de Oliveira, 342 (prox. ao metrô Marechal)

Entrada franca.

Escrito por Marcelo Tas às 22h08
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23/03/2007

Hoje é dia da água 2




Enviado por Nobs Brandsch.

Escrito por Marcelo Tas às 09h15
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Hoje é dia da água




Que a gente consiga melhorar nosso ponto de vista sobre o que acontece com a nossa Terra.


Foto: Lançamento do ônibus espacial visto da Estação Internacional (enviada por Carlos Magno)

Escrito por Marcelo Tas às 09h12
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22/03/2007

Arigatô





Obrigado a todos que se preocuparam com minha saúde e enviaram votos de melhoras. Rapaz, fazia tempo que não pegava uma gripe dessas. Empurrado pela febre, tive sonhos incríveis. Mas, já estou quase zero kilômetro. Não posso escrever porque meu médico proibiu de ficar aqui conversando com vocês. Deixa eu voltar pra cama porque ele já está me olhando feio.

De novo, arigatô.

E até breve.

Escrito por Marcelo Tas às 12h33
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21/03/2007

Luis Dulci quer o modelo "Berlusconi" para a TV Pública do Brasil




Não tenho forças agora para entrar nessa discussão da proposta de criação de uma nova TV Pública ligada ao Executivo Federal. Ai, ai, ai... vou tentar ser breve.

Mas, vejam vocês. Ontem à noite, escapei da minha vigilante enfermeira e consegui ver na TV uma declaração do Ministro da Secretaria Geral da Presidência da República Luis Dulci: "queremos o modelo da TV italiana RAI para a TV Pública do presidente Lula. Lá na Itália, que tem uma excelente TV Pública, quem indica o diretor de programação da RAI é o primeiro ministro, que foi eleito pelo povo."

Ai, ai, ai...

Dois pontos curtos porque minha saúde não permite eu me alongar agora nesse assunto importante. Primeiro, ter a "qualidade" da RAI como meta é realmente assustador porém discutível. Tem coisa pior por aí. Mas a programação da RAI, vamos dizer assim, não é flor que se cheire.

Segundo: querer explicitamente o modelo Berlusconi de TV Pública para para o Brasil é um acinte à nossa inteligência. Um retrocesso à tudo que foi conquistado à duras penas nas poucas TVs realmente públicas ainda muito frágeis que resistem à pressão dos governos no Brasil.

Na Itália, por conta desse modelo monstruoso de acúmulo de poder, durante anos o primeiro ministro italiano- dono de dezenas de veículos de comunicação- se tornou uma espécie de Mussolini eletrônico. Até ser finalmente posto para fora afundado em escândalos. Muitos deles vinculados ao seu monopólio de comunicação. Gente, isso é evidente. Ou será que estou com febre?

Há que se aplaudir a aparição do ministro num programa ao vivo para discutir o assunto ("Observatório da Imprensa", veiculado pela TVE do Rio de Janeiro, ontem terça, as 23h00). Mas o frustrante é que no programa ninguém questionou o absurdo da proposta berlucônica do ministro. Vou torcer para que seja por falta de tempo ou inspiração dos participantes do debate. Não quero acreditar que a TVE do Rio não seja suficientemente pública para questionar esse absurdo.

Caricatura de Jean Gouders (www.cartoonboeken.nl)

Escrito por Marcelo Tas às 09h35
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Blog de molho 2




Meu médico recomenda mais um dia de molho. Mas, muito bonzinho, me autorizou passar aqui para ver vocês.

Segundo meu colega de UOL José Simão, estamos com a gripe Congonhas, aquela que nos deixa no chão.

Não tenho do que reclamar. É mais um dia na companhia do "cumpanheiro" Dostoiévski, que apesar de não ter ido à festa de cumpleanos do "cumpanheiro" Zé Dirceu, me trouxe novidades incríveis. Confiram este primeiro parágrafo do conto "O Sonho de um Homem Ridículo" (1877) e depois me digam se o "cumpanheiro" Dostoiévski sabe ou não das coisas:

"Eu sou um homem ridículo. Agora eles me chamam de louco. Isso seria uma promoção, se eu não continuasse sendo para eles tão ridículo quanto antes.

Mas agora já nem me zango, agora todos eles são queridos para mim, e até quando riem de mim- aí é que são ainda mais queridos. Eu também riria junto- não de mim mesmo, mas por amá-los, se ao aolhar para eles não ficasse tão triste.

Triste porque eles não conhecem a verdade, e eu conheço a verdade. Ah, como é duro conhecer sozinho a verdade! Mas isso eles não vão entender. Não, não vão entender."

PS: Do livro "Duas Narrativas Fantásticas, de Fiódor Dostoiévski, tradução direto do original de Vadim Nikitin, Editora 34. Eu rrrrrrrrecomeeeeindo.

Escrito por Marcelo Tas às 09h11
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20/03/2007

Blog de molho





Febre, cama, recomendações médicas... Previsão de volta ao batente amanhã, quarta.

Vou aproveitar para trocar umas idéias com um "cumpanheiro" que realmente importa, o "cumpanheiro" Dostoiévski.

Escrito por Marcelo Tas às 07h42
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19/03/2007

Mega bizarro: carnaval baiano no Second Life




Tem algo mais bizarro do que dançar axé virtual?

Escrito por Marcelo Tas às 07h27
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Queremos o "Second Life" por não termos dado conta da "First Life"?




O mundo virtual "Second Life" começa a ganhar a grande mídia. Foi capa da Época esta semana. Na Cebit 2007, maior evento de tecnologia do planeta, que se realiza esta semana em Hannover, Alemanha, a IBM montou dentro do seu stand outro stand no "Second Life"... Enfim, fala-se muito, mas ainda tudo é muito pouco. E o pouco que conheci até agora é bem bizarro.

Como o diretório político do PSDB (foto acima) que fica no cruzamento da Alamenda Gabriel Monteiro da Silva com a Avenida Rebouças virtual. E é vizinho da mega loja de luxo Dona Lulu! Seria esse o sonho de consumo tucano, ser vizinho da Daslu?

Quem quiser saber mais de Second Life e Cebit 2007, acompanhe a cobertura do Editor de Tecnologia do UOL, Francisco Madureira, direto de Hannover.

Escrito por Marcelo Tas às 07h16
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18/03/2007

Formula 1, o ano promete




Começa muito animado o ano de 2007 na F1. Em nome da competitividade a salada de raças, motores, patrocinadores é geral. A corrida foi na Austrália, na foto do pódium um espanhol, um francês, um finlandês e um inglês, esse último o primeiro negão da F1. Vá lá, negão para os padrões da Inglaterra e da brancura rinso do circo da F1. Ah, é claro, falta dizer que o carro vencedor é italiano.

Escrito por Marcelo Tas às 07h55
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16/03/2007

Pulp Fiction desmente a "Snack Culture"?





Se fala em "Snack Culture", esse momento onde a vida corrida e o excesso de oferta nos oferece pedacinhos de diversão digital.

Ok, vivemos correndo e tentando nos divertir em bits. Mas não é um alento perceber alguns fenômenos que desmentem a tese de que nada fica, tudo é esquecido de um clic para o outro?

Pegue o filme Pulp Fiction, lançado no século passado, no distante ano de 1994, continua nas nossas mentes e sendo redigerido pela molecada digital. Well, não deixa de ser "snack culture" bits de Pulp Fiction mas também mostra a espessura do filme que ainda está sendo digerido.

Duas pérolas, ou dois salgadinhos de snack culture como queiram, de Pulp Fiction que encontrei na internet por gente que deveria estar de fraldas quando o filme foi lançado: a recriação do monólogo sobre o personagem Marcelus Wallace, pelo grande ator Samuel L. Jackson, que interpreta Jules, o capanga dele...




... e o incrível resumo do filme em apenas 2 minutos! Enjoy.

Escrito por Marcelo Tas às 06h55
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Divulgue

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