
Dezembrite: trânsito, ansiedade, excesso de trabalho, atrasos, cobrança, gastança... Quando vamos nos tocar que tudo isso- dias, meses e anos- é uma grande ilusão criada pelo grande Júlio César, em Roma, 46 anos antes de Cristo?

Dezembrite: trânsito, ansiedade, excesso de trabalho, atrasos, cobrança, gastança... Quando vamos nos tocar que tudo isso- dias, meses e anos- é uma grande ilusão criada pelo grande Júlio César, em Roma, 46 anos antes de Cristo?

Em São Paulo, vereadores aprovam lei que proíbe as infames porta giratórias nos bancos. Bem feito!
Com seus lucros estratosféricos, os bancos teriam obrigação de tratar seus clientes com tapete vermelho na porta e não como marginais, como fazem impunemente.
Querem resolver o problema, senhores guadiões e adoradores do vil metal? Sugiro um serviço de vallet park com champagne e caviar ou uma porta giratória de luxo como a desse banco da Inglaterra, que sem perder a elegância, ainda fatura com publicidade de uma escola de balé.

Finalmente, talvez inspirado na era "Renan", o Senado relaxou e assumiu sua verdadeira estética Zorra Total, com o devido perdão aos artistas do humorístico da Globo pela comparação.
A histórica sessão de ontem, que gongou a CPMF, foi um show de personagens que se alteravam entre a picardia de Chicó, de Suassuna e a vulgaridade explícita e o grotesco de Ary Toledo.
Parte do vaudeville, o presidente enviou por volta da meia-noite (!) uma carta com um apelo dramático pela aprovação da tunga bancária com promessas de fazer a lição de casa atrasada, a tal reforma tributária. Impressionante tentativa, depois de 6 anos no poder, de fazer um gol aos 45 minutos do segundo tempo.
Agora resta um gesto histórico ao presidente: cortar despesas desnecessárias sem aumentar impostos.
Poderia começar simbolicamente pela demissão imediata de Mangabeira Unger e toda a folha de pagamento em torno dele na ex-futura Sealopra- Secretaria de Ações de Longo Prazo.
PS: Não é uma ironia Mercadante ter que se aliar ao coronel maranhense José Sarney, e pior, com menos cabelos na cabeça que o senador pelo Amapá (ué, mas ele não é do Maranhão?)? Zorra Total...
Foto: Agência BR


Depois do incrível Renan Calheiros, retirado da Presidência do Senado envolto numa trama amorosa com a jornalista matogrossense que virou capa de Playboy, o Senado Federal tem novo presidente. Quem seria ele? O cartunista Andrade, com seu olhar privilegiado, garante que a cadeira ficou com Austin Powers!
E você, nobre internauta, diga lá: o que esperar dessa figuraça, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que acaba de assumir a Presidência do desmoralizado Senado Federal?


Em Outubro, descrevi aqui no blog as minhas agruras ao tentar enviar uma carta já selada pelos Correios. Vaguei duas semanas pela cidade de São Paulo sem encontrar uma única caixa de coleta. Iniciou-se assim uma investigação arqueológica contemporânea: para onde foram as caixas de correio?
Encontrei uma, já entrando na terceira semana de expedição, dentro da própria agência dos Correios (!) onde finalmente consegui alinhar minha cartinha com seu destino final.
Acima publico o resultado da investigação de alguns internautas leitores do blog, que saíram por esse Brasil, como autênticos naturalistas, fotografando as tais caixinhas- verdadeiros micos-leão-dourado desta era digital.
Felipe Pelicioni, médico veterinário, encontrou uma dentro do Praia Shopping, em Natal- RN; Iara Nunes, fotografou outra, acreditem, num lugar aparentemente aberto ao público. Só que trata-se do pequeno shopping center que existe dentro das instalações luxuosas do Hotel Tropical, em Manaus- AM.
E você, sabe dizer onde foram parar as caixas de correio?
Os caras são considerados a maior banda de rock'n'roll do planeta. Estavam há mais de 20 anos sem tocar juntos. Ontem à noite, em Londres, numa arena impecável (alô organizadores da Copa 2014!), 20 mil pessoas tiveram o privilégio de ver ao vivo John Paul Jones, Robert Plant e Jimmy Page; com o baterista Jason Bonham, o único que não pertence à formação original do Led Zeppelin, reacenderem a chama da lenda.
As imagens, oficiais e paralelas já estão na internet. Vai uma de cada abaixo. Ainda recomendo um clique neste video do The Guardian, jornal que fez a melhor cobertura do pós-show.
OK, reconheco, o post abaixo sobre a camiseta baby-look do Sting, foi a mais alta taxa de rejeição à algo publicado neste blog.
Mas fica uma lição importante: poucos leram que o objeto criticado era a camiseta baby-look do baixista e não o som do The Police. Ou mesmo a forma física da estrela-mor do espetáculo. Nada contra o Sting. Police para quem precisa de Police. Love is all we need.
O que quero observar aqui, se vocês me permitem, é que muita gente ao menor estímulo fica cego de raiva e sai atirando antes de ver ou ler direito as coisas. Me parece um fato cada vez mais frequente nos tempos que correm. E como correm...
Sobre o show, sugiro a crítica do Ivan Finotti, publicada na Folha de hoje, que começa assim:
..::..
Police não fez o Maracanã tremer
Irrepreensível tecnicamente, banda inglesa está domesticada
IVAN FINOTTI
ENVIADO ESPECIAL AO RIO
Sabe o salto do Sting no meio do palco, com as pernas juntas e dobradas, ao lado de Andy Summers e de Stewart Copeland? É uma imagem bem rock'n'roll, muito usada nesta turnê mundial do Police na promoção do show. Pois bem, ele reproduziu o salto no palco do Maracanã, durante "Roxanne". Mas, se você não foi à apresentação e viu tal foto nos jornais ou na internet, é capaz de pensar que foi uma noite alucinante. Não foi.
O show foi altamente competente, profissionalizado e irrepreensível em aspectos objetivos. Mas está domesticado, e o Maracanã não tremeu. Sting é um ótimo cantor e baixista. Summers, um grande guitarrista. Copeland, um talentoso baterista. O que se ouviu foram 20 músicas sensacionais, 15 delas hits incontestáveis, tocadas por três vovôs sem tesão nenhum.
(leia mais, aqui- para assinantes da Folha ou do UOL)

O som dos caras ainda está OK, mas fiquei levemente constrangido ao ver as imagens de Sting no Maracanã.
Todos devemos saber a hora certa de parar de usar certo tipo de indumentária. O astro inglês não respeitou o prazo de validade de sua camiseta "baby-look".
Você vai reclamar ao Procon?
Foto: Publius Vergilius/ UOL
Longe da TV da sala, meu atual campeão de audiência é assistir palestras na internet.
Vai acima, a de Hans Rosling, doutor em saúde sueco, que conseguiu fazer da estatística uma arte. Se você conhece outras palestras interessantes na rede, compartilhe com os internautas aqui.
A campanha presidencial norte-americana está, como era de se esperar, muito mais quente na internet do que na TV.
As próximas eleições municipais brasileiras em 2008 devem coincidir com um papel cada vez mais importante da rede na disputa. Será que vai ajudar a diminuir o blablablá e ir direto para o que importa?

Uma hora os tiranos acabam se entregando. Quase sempre, pateticamente. Derrotado nas urnas, em sua proposta singela de se perpetuar no poder por mais 50 anos, o fanfarrão venezuelano Chavez disse que o resultado do plebiscito foi "uma victoria de mierda".
Parênteses, "mierda" é melhor que merda para descrever o cocô humano. Em castelhano a palavra fica mais deslizante e gosmenta.
É impressão ou atualmente os líderes falam mais palavrão que antigamente?
Hacen más mierda, por supuesto.

Continuo a receber relatos onde autómoveis de empresas e instituições públicas com placas de cidades onde se paga menos impostos circulam docemente fora de seus locais de origem. Vocês se lembram: tudo começou aqui quando flagrei uma camionete a serviço da CET, com placa de Curitiba, circulando pela cidade de São Paulo. A mesma CET que tem a pachorra (ando saudosista com as palavras) de parar o já infernal trânsito natalino de São Paulo para multar carros com placas de Curitiba, se os ocupantes não tiverem como comprovar o endereço. Vejam vocês...
A razão dessas travessuras vocês também conhecem: driblar as altíssimas e numerosíssimas taxas de impostos inventadas por um governo (desde a descoberta do país, diga-se) que até hoje não aprendeu a gastar menos do que arrecada.
A foto de hoje é enviada por Luiz Eduardo Bocardo Lemes, advogado, de Ribeirão Preto, cidade do interior de SP onde os Correios usam frota de carros emplacados na distante Recife- Pernambuco., milhares de kilômetros acima no mapa.

Assisti ontem, degustando um anti-ácido on the rocks, boa parte da sessão do Senado que mais uma vez absolveu Renan. É uma cerimônia que de tão bizarra torna-se cativante. Como no caso das televendas ou dos pastores eletrônicos que curam doenças na TV, o conteúdo é medíocre, mas o programa é hipnótico.
A cada minuto que passa fica mais difícil acreditar no que os olhos vêem. Há duas camadas de consciência. A que sai do gogó dos parlamentares: dura, rigorosa, austera e solene. E a que se deixa vazar através do "body-gesture" deles capturada por câmeras e microfones: um clima de recreio escolar, fanfarrã, cínica e infantil, com o devido perdão às crianças pela comparação.
Trata-se de uma coleção de homens feios e deformados. Na tela, um videoclipe de monstrengos com destaques para Demóstenes Torres, Ideli Salvati, Garibaldi Alves, Romero Jucá, José Sarney, Paulo Duque e até Aloisio Mercadante. Outrora um jovem vistoso, Mercadante apresenta agora tiques e deformações provavelmente causadas pelos ossos do ofício de explicar o inexplicável, como defender Renan na primeira votação e agora pedir visivelmente arrependido a cabeça dele diante da câmeras.
O espetáculo, literalmente, é um show de horrores. Combinação de um a estética brega com texto rebuscado-chinfrim de advogado de porta-de-cadeia.
O final vocês conhecem, Renan foi absolvido. Nada mais natural num Senado que não respeita a sí próprio. Por que iriam punir Renan por quebra de decoro na aquisição de uma rádio em Alagoas, se mais de 20 senadores no plenário já fizeram o mesmo em seus estados?
O Senado da República é a cara de Renan. E vice-versa. Eles se merecem. Mas, definitivamente, nós não merecemos esses pafúncios.
Foto: G1

Designers em polvorosa discutem o novo logo da Vale. O Mario AV faz um histórico crítico da celeuma que vale a a clicada. Já o Rafael Dourado coloca uma interrogação inusitada de pé: o novo logo da maior mineradora do mundo chupou o da Vitelli, lojinha de sapatos para "macho" do Marcelo, de Franca- SP?
Fico com o AV: se houve alguma cópia a fonte de inspiração foi o coador de café Melitta.
2008 é um ano de duas efemérides relacionadas à formação da sociedade brasileira: 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro e 100 anos da imigração japonesa que aportou (sim, naquela época o pessoal viajava de navio) em São Paulo.
Que ingredientes cada uma delas adicionou à grande feijoada brasileira? Que sinais atuais são indícios dessa mistura explosiva e criativa?
Acima, garotinha nipônica que descobriu o remelexo de munheca com "Tico-Tico no Fubá" (enviada por Patricia Pascale).

Se Deus está nos detalhes, Ele não esteve ontem na estréia da TV Digital, na Sala São Paulo.
Para quem estava lá, devia até estar bonito. Vejam aí os telões que foram montados no palco, com o logo de todas emissoras abertas. Para quem estava em casa, o diretor de TV preguiçoso reservou apenas o enquadramento fechado da câmera que pegava quem falava no púlpito. Para piorar, o infeliz cenógrafo da festa escolheu a cor bege para a gigantesca tapadeira do fundo do palco. Além de algumas samambaias decorativas, é claro. Resultado: minutos que pareceram horas da falação de Dilma, Costa e Lula com um fundo para lá de monótono e chôcho.
As falas foram recheadas de pretensão- "nosso sistema é o melhor do mundo"- e promessas- "os conversores vão cair de preço".
Para coroar a "zica", o teleprompter (aparelho onde se poder ler um texto sem que o telespectador perceba- na foto, as duas telinhas transparentes diante do presidente) pifou no meio do discurso de Lula. O presidente não conseguiu disfarçar sua irritação e saia justa. Titubeou, deu uma enrolada e clicou sem jeito um controle remoto que simbolicamente detonou a nova era da TV Digital no Brasil (marketeiro tem cada idéia "genial"...).
O primeiro video da TV Digital foi uma ode retrô à TV analógica! Isso mesmo, um clip cheio de momentos da TV de antigamente. OK, prometo que vou parar de ser ranzinza com esse assunto. Mas já é hora de deixar o blablablá e andar para frente.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

A queda do "timão" para a segunda divisão foi um ato dramático. Mostrou novamente quem é a alma do time: a torcida. Confirmou também outra máxima da vida: só torcer não resolve. Que cada um de nós saiba aprender esse ensinamento.
Meus respeito e admiração à Fiel. Não sou corinthiano, mas me emocionei com sua torcida. Viva o Corinthians!
Foto: do sensacional blog português sobre torcidades de futebol "Velho Estilo"- velhoestilo.blogspot.com (infelizmente já sem atualização há mais de ano, mas com um acervo fantástico).