
Aos poucos, a tal mídia "tradicional" começa a se despertar do sono profundo e enxergar a força dos blogs e da própria rede. A capa da revista Época da semana traz "80 Blogs que você não pode perder". Entre eles o Blog do Tas.

Aos poucos, a tal mídia "tradicional" começa a se despertar do sono profundo e enxergar a força dos blogs e da própria rede. A capa da revista Época da semana traz "80 Blogs que você não pode perder". Entre eles o Blog do Tas.
Só em portugues, a Wikipedia, maior enciclopédia virtual do mundo, tem 439 mil verbetes. Mais que o dobro da Britânica em inglês, a maior enciclopédia em papel do planeta. Esta semana, Jimmy Wales, o fundador desse gigantesco website de informação construído apenas e tão somente com a colaboração do usuário, esteve no UOL onde conversou com Francisco Madureira, editor de UOL Tecnologia.
Entre outras coisas, Jimmy disse que não acredita muito nessas bossas tecnológicas como web semântica para resolver a montanha de informação que se acumula diante de nossos olhinhos cansados. Acreditar que o futuro nos reserva "mais do mesmo". Ou seja, Não tem robozinho salvador da pátria. Se quisermos uma vida saudável em rede, como sempre, nós mesmos é que temos que administrar e aperfeiçoar as relações humanas. Estou com ele e não abro.
Vale a pena acompanhar cada um dos 16 minutos da entrevista.

Tia Dag, carinhoso apelido como é conhecida a educadora Dagmar Garroux, fundadora e coordenadora da Casa do Zezinho, manda avisar que está confirmado neste sábado o lançamento do livro "Pedagogia do Cuidado". A comunidade ainda se encontra em estado de choque após o assassinato do jovem Alberto Mifonti Junior, 23 anos, um "Zezinho" educado na Casa, dentro de uma loja da Casas Bahia, na última segunda. Além de não alterar o plano do lançamento do livro, toda comunidade resolveu reafirmar com sua presença no lançamento a posição de firmeza diante da dura realidade a ser transformada.
O livro é altamente recomendável não apenas para os interessados em crianças e educação, mas sobretudo em entender o Brasil. Ou como usar a criatividade e a inteligência para lidar com a criminosa distância de oportunidades existentes entre os vários Brasis.
É também uma boa chance para quem se interessar por conhecer melhor a experiência da "Casa do Zezinho", ONG do Jardim Ângela, um ilha de excelência educacional na periferia de São Paulo, mais conhecida fora do que dentro do nosso país.
No lançamento do livro, a Comunidade Zezinho estará fazendo um ato silencioso em respeito ao Luto pelo assassinato do Jovem Alberto Mifonti Junior. Todos estarão de branco com uma fita rosa no braço para lembrar que onde há Educação haverá Paz, Amor e Justiça. Eu lá estarei.
Abaixo, vai o serviço e release do livro. Quem puder, por favor passe a notícia adiante.
Lançamento do livro: "Pedagogia do Cuidado– um modelo de educação social"
Autores: Celso Antunes e Dagmar Garroux
Sábado, dia 15 de Novembro, 18h00
Livraria Fnac- Pinheiros
R. Pedroso de Moraes, 858
Sao Paulo- SP
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RELEASE
“Pedagogia do Cuidado” dos autores Celso Antunes e Dagmar Garroux (Tia Dag)
A favela não é conceito urbanístico, é episódio social onde se convive a toda hora com assassinatos, tráfico de drogas, violência sexual, mas isso não impede que nesse mesmo espaço se descubram a mensagem de carinho, o amor romântico, as ilusões adolescentes, as esperanças no amanhã. A árdua realidade de uma favela, como tantas que em tantas partes do país se esparramam, representa diagnóstico realista de um mundo onde se exploram crianças até os limites de sua resistência e onde a vida vale pouco menos que quase nada.
Localizada no chamado “Triângulo da Morte”, região do entroncamento entre Capão Redondo, Jardim São Luiz e Jardim Ângela, uma das regiões mais pobres e violentas de São Paulo, a comunidade do Parque Santo Antônio faz parte de uma faixa habitada por mais de um milhão de pessoas, que vivem em condições muitíssimo precárias sob qualquer ângulo que se queira olhar e ver. E é neste contexto que Dagmar Garroux fundou a Casa do Zezinho, que para a felicidade de muita gente cresceu e ajudou a vida de muitos jovens. Este livro nos conta um pouco de tudo isso com a descrição de 40 casos verídicos envolvendo a educação, as drogas, a prostituição infantil, o estupro e a morte. As linhas pedagógicas que estruturam a Casa e a pedagogia do cuidado, que envolve as múltiplas ações desenvolvidas na Casa do Zezinho, também estão descritas por Celso Antunes nesta obra e têm a intenção de inspirar movimentos análogos onde quer que existam vontade de educação e esperança no amanhã.
O livro é estímulo à reflexão e convite à ousadia de pensamentos sobre uma metodologia diferente, onde é inegável a força modeladora e a imprescindível importância de modelos admiráveis que, conscientemente ou não, mudam vidas ao propor desafios enriquecedores e exemplos estimulantes.
Alguns depoimentos
Os Zezinhos são meninos e meninas de 6 a 18 anos com experiência de vida que mistura capacidade de sobrevivente de guerra com liderança natural de vice-presidente de multinacional. (Marcelo Tas, jornalista, apresentador do CQC na Band)
A pequena Dag é boa de pontes. Há décadas é tudo o que ela faz. Construir pontes firmes e indestrutíveis entre o Brasil, onde abandono, desesperança, exclusão, pobreza, fome e desamor estão represados há séculos (e podem explodir a qualquer momento), e o Brasil que sobe muros, blinda carros, capricha na chapinha e finge que não vê. Se depender da Tia Dag, Irmã Dag ou da Dagmar Garroux, o nome você escolhe, um dia serão tantas pontes, que não haverá mais lado de lá ou lado de cá. (Paulo Lima, editor da revista Trip)

Atenção cantores, bandas, cineastas, artistas em geral e até mesmo senadores da república que gastam seus miolos para censurar a Internet: cliquem aqui e vejam como o REM cuida do conteúdo gerado por seus fãs. O que inclui os shows da sua recente turnê, com videos e fotos de Rio, Porto Alegre e São Paulo.
Que bom ver o REM, banda que me cativou no início dos anos 90, se manter fluida e exuberante com o andar da carruagem por essa estrada pedregosa do século 21. Não é à toa que eles tem uma letra que diz: "It's the end of the world as we know it, but I fell fine".
A atitude do REM em relação à forma de disponibilizar sua obra na rede, e manter sua saúde artística e financeira, é um exemplo cristalino de como, ao invés de controlar, podemos estimular o compartilhamento da informação e do conhecimento coletivo.
Link: Tiago Dória.

Este blog apóia incondicionalmente a manisfestação contra a insensatez proposta contra a liberdade expressão na internet pelo ilustre senador Eduardo Azeredo, por Minas Gerais.
Talvez por falta do que fazer, ou para nos fazer esquecer seus processos com caixa 2 de campanha, o senador Eduardo Azeredo do PSDB- MG, enviou projeto que vai a votação na semana que vem no Congresso Nacional. A redação dele é totalmente inaceitável para o cliente de serviços de internet no Brasil. Caso a lei seja aprovada, você, que está lendo isto, será automaticamente considerado a priori como criminoso pelo poder público.
DIGA NÃO!
Apóie e participe dos protestos:
Amanhã, sexta-feira, 14 de novembro, às 18 horas: Protesto de rua.
Apareça e participe do primeiro flash mob pela liberdade na Internet.
Em São Paulo: na Avenida Paulista, canteiro central, altura do número 900 (em frente ao Objetivo).
No Rio de Janeiro: na Cinelândia, em frente à Câmara Municipal.
Leve sua câmera, filmadora, celular, notebook, não importa o quê; mas registre e espalhe.
Pode ser apenas a primeira batalha de uma nova guerra pela liberdade de informação no país.
E não se esqueça de participar do Manifesto em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira. Eu já assinei. É só clicar aqui.
Link: Mario Amaya, Different Thinker.

Pela primeira vez, esta noite, dia 13 de Novembro, a festa do Grammy acontece fora dos Estados Unidos. O 9º Latin Grammy será oferecido à nata da música brasileira no auditório Ibirapuera em São Paulo.
A Band transmite a partir das 22h00. Daniela Cicarelli e este que vos tecla apresentam a festa.
Ah, o CQC aparece por lá.
Vamos transmitir a cerimônia simultaneamente com Houston, no Texas, ao vivo. Imensa reesponsabilidade, friozão na barriga, rezem por minha alma, os que assim puderem. Até lá...

Claro, deve ser coisa de nerd faixa-preta, que usou todos seus neurônios só para nos deixar de boca aberta. Mas que é legal, é.
A brincadeira é a seguinte: você pensa numa pessoa. O gênio começa a te fazer perguntas. Você responde usando múltipla escolha: sim, não, provavelmente sim, provavelmente não e não sei. Pensei no comediante de cinema mudo Buster Keaton e no final olha só a resposta do danado do gênio!
O nome da brincadeira é Akinator, the Web Genius. A brincadeira só está disponível nas seguintes linguas: inglês, alemão e hebraico. Preparado? Clique aqui.
PS: uma coisa fustigante é ver o elenco de personalidades mais pensadas pelo mundo, Brasil incluído. Realmente preocupante ;-)

A Casa do Zezinho, há mais de 10 anos, é um oásis de cultura, educação, civilidade e afeto para 2 mil crianças na periferia de São Paulo. Localizada no vértice de encontro dos bairros Jardim Ângela, Capão Redondo e Parque Santo Antônio, a Casa oferece dezenas de oficinas culturais, além de apoiar os jovens na escola e na vida cotidiana. A maioria esmagadora deles não tem pai, poucos podem contar com a mãe, geralmente ocupada em lutar na cidade para levar algum dinheiro para casa, ou em muitos casos, afundada no alcoolismo.
Mesmo com esse quadro duro, assustador, frequentar a Casa do Zezinho, com frequento como colaborador voluntário há mais de 5 anos, é uma grande alegria. Porque lá a gente aprende com o sorriso e garra das crianças. Quem vive do outro lado da moeda e acha que a vida é dura e injusta, pode tomar uma ducha instantânea de ensinamentos a um simples contato com um garoto ou garota da Casa do Zezinho. Todos eles são sobreviventes e vencedores de uma guerra dura e diária.
Na última segunda-feira, essa ONG, que representa um verdadeiro DNA de ética e eficiência para o país, foi barbaramente atingida. Um de seus "Zezinhos" mais queridos, já grandinho, com 23 anos, lutanto para enfrentar a vida, agora como pai de família, foi estupidamente assassinado. O nome dele é Alberto Milfont Jr. Segue o relato indignado abaixo das educadoras da Casa do Zezinho, a quem eu presto aqui a minha total e irrestrita solidariedade. Convido cada um de vocês a ler o texto abaixo com serenidade e atenção. E, quem tiver meios e vontade, ajudar a espalhar essa notícia e seus detalhes. Quem sabe um dia ao invés de conviver com tamanha brutalidade, possamos apenas nos envergonhar de termos vivido, em pleno século 21, num país tão desigual quanto ignorante e injusto.
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Nota de repúdio e indignação
A Casa do Zezinho está de luto. A ONG Casa do Zezinho mostra seu profundo repúdio e indignação. Um dos seus filhos queridos, o jovem Alberto Milfont Jr, (23), foi barbaramente assassinado dentro das Casas Bahia na Estrada de Itapecerica por um segurança terceirizado, que trabalha nessa instituição, na segunda feira por volta das 16 horas. O segurança, em sua defesa, alega que agiu assim porque simplesmente o jovem estava mal vestido.
O jovem Alberto, mal vestido, morre com a nota fiscal, com comprovante de compra nas mãos.
Enquanto aguardava dentro da loja, “roupa de trabalhador”, sua esposa Darilene (22) voltava do caixa aonde fora pagar a prestação da compra de um colchão. Foi abordado pelo assassino, terno preto. Depois de um bate boca ligeiro o segurança saca da arma e atira à queima roupa. O jovem tomba sem vida.
Suas últimas palavras: Sou cliente, não sou ladrão!”. A partir daí se calou. Calou da mesma forma como estamos calados, sufocados há 400 anos. Que grande equívoco este país!
Mal vestido, roupa de trabalho, é um sinal verde para o braço armado da sociedade, o assassino pago para atirar. Alberto deixa esposa e um filho de 5 meses. Alberto deixa morta a remota esperança de milhares de jovens brasileiros. Estudar pra que? Trabalhar pra que? Ser honesto pra que? Brasileiros alfabetizados, respondam honestamente essa pergunta!
O menino brincalhão, comprido e de pernas finas entrou para a Casa do Zezinho aos 10 anos. Sua turma do Parque Santo Antônio já estava todinha ali. Vai ser muito legal, ali vamos nos divertir para valer. O jovem deixa excelentes recordações em toda nossa comunidade, onde permaneceu como um membro muito querido até 2003.
Estava de casamento marcado com a jovem Darilene, com quem tinha um filho de apenas 5 meses.
Suspeita e pobreza sempre juntas na nossa história.
Nenhum (a) jovem “mal vestido” (leia-se moreno, pardo) da periferia ousa sequer pisar num shopping de grife da cidade sem levantar as mais alarmantes suspeitas. Nenhuma placa, nenhum sinal explcita essa indesejabilidade, como faziam com os negros os norte-americanos. Diferentemente dos americanos, aqui o jovem da periferia já traz gravada na carne, na alma, essa interjeição.
Nenhuma revolta, nenhuma vingança organizada. Nada que a sociedade deva se preocupar. Apenas o destempero de um segurança idiotizado, uma peça para reposição. No Cemitério São Luiz o murmúrio surdo da mãe e da jovem esposa.
Dentes cravados, os jovens cabisbaixos que acompanham o enterro trazem o sangue nos olhos. – O mano Alberto subiu!
Com muita raiva seguimos com eles, solidários, para tentar preservar essa auto estima
tão covardemente destruída desde o seu nascimento nas favelas.
A vitória da morte exercida com eficiência certeira desde sempre no país pelo braço armado contratado pela sociedade dominante e pelos seus comparsas que dominam toda a estrutura de poder do estado.
Pras Casas Bahia deixamos como lembrança o carnê saldado com a honra e a dignidade de um jovem trabalhador.
Adeus mano Alberto!
Fotos: Acima, Alberto numa exposição de arte quando ainda estava na Casa do Zezinho, em 2001; abaixo, foto recente.

Crianças, estamos concorrendo a melhor humorístico da TV em 2008 do jornal Extra, ligado às organizações Globo.
Se você gosta do CQC, convido a depositar o voto na urna eletrônica clicando aqui.
Agradecemos e prometemos manter o nível de caos, indignação e criatividade em 2009. Podem cobrar!
PS importante: além do CQC, o glorioso e sensacional Danilo Gentili concorre a revelação 2008 da TV, um prêmio que ele merece como ninguém. Para votar no Danilo, clique aqui.

CQC 35
Dia 10 de Novembro
22h00Band
Para ir ao estúdio: plateiacqc@band.com.br
Contato: cqc@band.com.br
Entre outras:
ELEIÇÕES NOS EUA
FESTA DO OBAMA
SHOW DE CAETANO VELOSO (ou O BEIJO NA BOCA DE NIZAN GUANAES)
VOLTAMOS AO CONGRESSO
PROTESTE JÁ: PIRAPORA DO BOM JESUS
TOP FIVE
INAUGURAÇÃO DA PRAÇA DA ABRIL
CQTESTE: JAQUE KHOURY
Críticas, comentários e sugestões são bem-vindas!
PS: o programa é ao vivo, este é apenas o roteiro base que pode ser alterado em parte ou totalmente durante a transmissão.
... e obrigado pelo carinho e atenção das almas generosas e mentes inquietas que me clicam por todo lado. O afeto sincero de vocês é um presente que expande meu coração e compensa as eventuais dorzinhas de cabeça que me azucrinaram nos 49 anos nesse estranho e fascinante planeta.
Vocês, cada um de vocês- você, você e você- são uns docinhos-de-côco. Obrigado pela companhia!
Video: realizado pelas incríveis meninas e meninos da comunidade CQC Brasil. Adorei tudo, me emocionei... Um big smack nas bochechas de todas, suas danadas!

Hoje foi ao ar minha participação no programa Raul Gil hoje, no famoso quadro "Para quem você tira o chapéu?".
Obrigado a todos pelos e-mails e comentários (o Raul tem mesmo Ibope!). Só quero deixar registrada uma coisa: gravei esse programa há três semanas. O único personagem do chapéu para quem eu mudaria minha opinião é o ator Paulo Betti. Recentemente, conversamos e zeramos o conflito surgido por entre Paulo e o repórter Oscar Filho, do CQC. Paulo reconheceu que se excedeu. A gente deixou claro que não tínhamos intenção alguma que não a de interpelá-lo com o devido respeito. E, portanto, hoje tiro o chapéu também para o Paulo Betti.
Em 2005, eu ainda estava na TV Cultura, fui procurado por Maria Cristina Abdalla, cientista brasileira que havia passado alguns anos na Europa trabalhando num tal acelerador de partículas chamado CERN. Já tinha ouvido falar desse laboratório que usa um túnel circular de dezenas de quilômetros, no subsolo da fronteira Suíça-França. Mas nunca pensei que um dia na vida ia encontrar em carne e osso um dos nerds que ficam lá dentro da terra, bisbilhotando os pedacinhos dos pedacinhos que fazem as coisas ser o que são.
Cristina havia publicado um livro onde tentava contar para leigos como funciona a tal física quântica. Queria minha ajuda para fazer dele um programa de televisão. Quase fugi correndo com medo do papo de nerd que isso ia dar. Mas foi abrir a primeira página do livro- o sensacional "O Discreto Charme das Partículas Elementares"- e me apaixonei por esse assunto tão presente na vida de todos e tão desconhecido de todos nós.
As conversas com Cristina e a equipe que se criou em torno do projeto na TV Cultura começaram a ficar cada vez mais longas e fascinantes. Muitas fichar caíram. Percebi que já estamos há tempos convivendo com a física quântica no dia-a-dia mesmo sem perceber. Quando falamos no celular ou manipulamos imagens na tela de um computador ou iPod, literalmente atravessamos a matéria com o eletromagnetismo natural do corpo ajudados pelo estudo desses cientistas que vivem no universo sutil e ultra microscópico das partículas.
Mas o tempo passou, eu saí da Cultura sem ver a idéia virar realidade. Eis que no início deste ano, surge a inabalável professora com o roteiro, a equipe de TV pronta para as filmagens e um convite gentil para eu fazer uma pequena participação como ator no especial. Parabéns para a TV Cultura, que na próxima segunda-feira, seguramente se torna a primeira emissora do mundo a abordar assunto tão importante quanto desconhecido de forma precisa e divertida.
“O discreto charme das partículas elementares”
Exibição: segunda-feira (10/11), às 19h30, na TV Cultura
Duração: 52 minutos
Roteiro: Claudio Yosida e Dani Patarra
Direção: Ricardo Elias
Ass. de Direção: Joyce Abram Martirani
Produção: Lina Mauro
Atores:
Marcelo Tas – apresentador de TV
Giovanni Delgado – Rafa
Sheyla Coelho – Marina
Flávia Garrafa – professora Helena
Ivo Müller – professor Maxwell
Participações especiais:
Professora Maria Cristina Abdalla – autora do livro “O discreto charme das partículas elementares” – UNESP (Universidade Estadual Paulista)
Professor Francisco Caruso Neto – Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas do Rio de Janeiro
J. A. Helayel Neto – Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas do Rio de Janeiro
Video: Trailer do programa
Foto: Os atores principais do especial Giovanni Delgado e Sheyla Coelho, a cientista Maria Cristina Abdalla e este blogueiro (Divulgação/ TV Cultura)
O sociólogo Demétrio Magnoli gentilmente envia ao blog o texto dele citado aqui e publicado no dia seguinte à divulgação do resultado das eleições norte-americanas em O Globo. É uma precisa e provocadora visão do significado da chegada do primeiro negro à Casa Branca.
Boa leitura a todos.
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"O círculo completo"
Demétrio Magnoli
Pouco depois da meia noite (duas da madrugada de Brasília), ontem, a CNN proclamou a vitória de Barack Obama na Virgínia, um resultado tão extraordinário quanto previsto pelas pesquisas. Richmond, na Virgínia, foi a capital da Confederação e, após a Guerra Civil, o laboratório das Leis Jim Crow, a legislação de segregação racial nos EUA. Desde 1968, invariavelmente, uma Virgínia ofendida pela Lei dos Direitos Civis, passada pelo democrata Lyndon Johnson, ajudava a eleger presidentes republicanos. O voto da Virgínia representa, na história dos EUA, o que a queda do Muro de Berlim representou na história da humanidade: um julgamento sobre o mal.
Fora dos EUA, anti-americanos de esquerda e de direita – há os dois tipos, que se abraçam na hostilidade compartilhada à democracia – asseguram não existir nada em jogo nas eleições americanas. Os cidadãos americanos não concordam, evidentemente, e por isso entregaram-se como há muito não se via ao jogo político que terminou ontem. Eles imaginaram estar fazendo história – e estavam certos.
Barack Obama encara três desafios e será julgado pelo que fizer com eles. O primeiro é de política externa: adaptar os EUA a uma ordem mundial que não se parece com a “Nova Ordem” da hegemonia americana proclamada por George H. Bush, o pai, no discurso de 11 de setembro de 1990 sobre o fim da Guerra Fria. George W. Bush, o filho, a partir de um outro 11 de setembro, o de 2001, engajou-se na aventura neoconservadora da “reforma do mundo” pela força das armas. O fracasso dessa aventura, junto com o colapso financeiro atual, descerram o cenário de uma ordem multipolar, na qual os EUA não são a “Nova Roma”, mas o primeiro entre pares.
Há quatro anos, Obama alçou-se ao centro do palco político americano em virtude do conteúdo do discurso que pronunciou na Convenção Democrata de consagração da candidatura de John Kerry. Naquele discurso, ele delineou um programa de conciliação entre o “famoso individualismo” americano e o imperativo da coesão social, que exige não deixar ninguém para trás. Toda a sua campanha presidencial estava prefigurada ali. Obama sabe que os EUA são tanto Franklin Roosevelt quanto Ronald Reagan – e que o sonho americano depende do cuidado com o vaso de porcelana no qual convivem os dois princípios opostos mas complementares. O segundo desafio de sua presidência é restaurar o motor do sonho americano, emperrado há sete anos, ao longo de um ciclo de expansão acelerada do PIB no qual a renda do trabalho estagnou ou retrocedeu. Ele terá que fazer isso em meio à pior crise econômica desde a Grande Depressão dos anos 30.
O terceiro desafio começou a ser cumprido na madrugada de ontem, quando os cidadãos americanos o escolheram para presidir a nação. A mensagem emanada das urnas, que a imprensa tem certa dificuldade para interpretar, foi: raça não existe. O povo dos EUA mirou-se no espelho e revisitou seu próprio passado. Com a atitude de um professor que risca um parágrafo errado e o corrige na margem do caderno, os eleitores produziram o esboço de um futuro pós-racial para o país. Como a crença em bruxas, fonte de tantos crimes na Idade Média, a crença em raças oriunda da ciência e da política do século 19 pode ser vencida.
“Como todo mundo, eu gostaria de viver uma longa vida. A longevidade tem sua importância. Mas não estou preocupado com isso agora. Só quero cumprir a vontade de Deus. E Ele me permitiu subir a montanha. E eu vi lá de cima. E enxerguei a terra prometida. Posso não chegar lá com vocês. Mas quero que saibam que nós, como um povo, chegaremos à terra prometida.” Martin Luther King pronunciou essas palavras há 40 anos, no 3 de abril de 1968, um dia antes de ser assassinado em Memphis, no Tennessee. “Nós, como um povo” não eram os negros americanos, mas todos os que acreditam na promessa de “uma união mais perfeita” inscrita na Constituição. O triunfo de Obama forma um círculo completo. A terra que King conseguiu ver está agora ao alcance da nação americana.
Demétrio Magnoli, sociólogo e doutor em Geografia Humana, é colunista de O Globo.

Hoje é o dia ideal para navegar no site do Newseum- um gigantesco museu da notícia que cobre 500 anos da história do jornalismo e suas respectivas mudanças de conceito e tecnologia.
Lá você consegue, por exemplo, ver num clique mais de 600 capas de jornais do dia de mais de 70 países diferentes.
PS: Para fazer justiça ao meu comentário aqui de ontem, que os jornais do dia seguinte à vitoria de Obama foram para a lata do lixo por trazer uma visão congelada desimportante do dia anterior- copio abaixo a capa de O Globo, que num esforço de jornalismo e de operação industrial, brindou os leitores cariocas, mesmo que algumas horas mais tarde que o horário habitual, com uma edição caprichadíssima da cobertura.
Aliás, está hoje também em O Globo, o melhor artigo analítico que li sobre a vitória de Obama: "O Círculo Completo". Foi escrito pelo sociólogo Demétrio Magnoli. Para ele, a vitória de Obama em Virginia, estado responsável pela criação das leis de segregação racial nos EUA, equivale na história dos EUA, o que a queda do muro de Berlim representou na história da Humanidade: um julgamento sobre o mal.
Vale a pena ser lido. Parabéns aos coleguinhas de O Globo.
Link: lamentavelmente, ninguém é perfeito, o artigo fica dentro de uma área fechada do site do jornal. Parece que ao contrário do The New York Times, mesmo para textos antigos, o jornal O Globo não faz questão de ser linkado ou googleado por ninguém. A meu ver, equívoco que limita o aperfeiçoamento e murcha a bola de veículos de comunicação importantes que se recusam a enxergar a amplitude e oportunidades da nova era digital.

Nesta quarta, participamos- Diego Barredo, diretor do CQC, e eu- de debate com os queridos e sensacionais colegas Cris Lobo e Marcelo Adnet (MTV); e Sabrina Sato (Pânico) sobre Linguagem e Experimentação no Festival Internacional de TV, no Oi Futuro, no Rio de Janeiro.
(Parênteses: pena que Emílio Surita, comunicador que admiro desde os tempos de Pânico na rádio Jovem Pan, tenha fugido da raia. Ainda bem que mandou a pessoa mais inteligente da sua equipe, Sabrina Sato, para os representar. E isso não é uma ironia: Sabrina manda muito bem, além de ser evidentemente mais bonita e ganhar bem mais que todos eles ;-) Fecho parênteses)
Parece que as vagas já se esgotaram, mas os cariocas sabem que na hora agá, sempre se dá um jeitinho de incluir os que realmente quiserem participar da conversa.
Bem-vindos os que quiserem enviar questões aqui para o debate.
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Festival Internacional de TV
5 de novembro, quarta-feira
19h às 21h
OI FUTURO
End: Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo
(como chegar)
Linguagem e Experimentação – Transgressão e renovação: as novas formas de humor na TV brasileira
Debate com:
Marcelo Tas (apresentador do CQC / Band),
Diego Barredo (Diretor do CQC / Band),
Cris Lobo (Diretora de prod. e programação da MTV Brasil),
Sabrina Sato (apresentadora e repórter do Pânico na TV),
Marcelo Adnet (apresentador MTV Brasil).

A mudança chegou, diz Obama. Tomara que sim, compadre, porque senão esse velho barco não aguenta e afunda. Suerte e coragem para fazer essa frase não morrer só como um slogan de campanha, meu caro.
O jornal que chegou as 7 da matina foi direto para a lata do lixo. Dizia que Chicago vivia "expectativa" da vitória de Obama, como se fosse uma página de internet congelada no passado. Liguei a CNN para ver o discurso histórico do primeiro presidente negro, pouco mais de um século após um tempo em que negros nem podiam votar.
Sobrou esse texto de David Brooks, do The New York Times. Leia atentamente. Parece que serve para países em outras partes do globo.
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Encontro com a escassez
Geração que chega ao poder enfrentará um problema para o qual não está preparada
DAVID BROOKS
DO "NEW YORK TIMES"
O DIA 4 de novembro de 2008 representa o fim de uma era. Economicamente, marca o final do longo boom iniciado em 1983. Politicamente, provavelmente marca o final do domínio conservador iniciado em 1980. Geracionalmente, marca o final da supremacia da geração baby boom, iniciada em 1968. Nos últimos 16 anos, membros da geração baby boom (os norte-americanos nascidos entre 1946 e 1960) ocuparam a Casa Branca.
Quando os historiadores analisarem a era que está se encerrando agora, verão um período de realizações privadas e de decepção pública. Nas duas últimas décadas, os EUA se tornaram um lugar muito mais interessante. Empresas como Starbucks, Apple, Crate & Barrel, Microsoft e muitas outras iluminaram as vidas cotidianas. Cidadãos privados, sobretudo os jovens, repararam os danos no tecido social, se dedicaram ao serviço comunitário e promoveram uma redução no número de viciados em drogas e de gestações na adolescência. Mas, ao mesmo tempo, a esfera pública não floresceu.
A despeito de décadas de prosperidade, questões já antigas como a saúde, a educação, a política energética e os benefícios sociais não foram conduzidas devidamente. A geração baby boom, que iniciou sua vida adulta prometendo ativismo permanente, provou ser uma geração sem distinção política alguma. Produziu dois presidentes, nenhum dos quais confirmou o potencial que parecia apresentar. E seus integrantes se mantiveram aferrados à guerra cultural que consome a geração deles. Estão transmitindo o manto da supremacia política depois de desperdiçar uma série de oportunidades.
Para o artigo completo, clique aqui.
Foto: tirada por anônimo na multidão que comemorava a vitórida do Democrata no Grant Park, em Chigago, onde também estava Felipe Andreolli com a equipe do CQC, que conta tudo sobre a festa na próxima segunda-feira (Flirck).

Preparado para a vertigem de informação? Clique aqui.

O blog recebe imagens fresquinhas da votação ainda em curso nas eleições norte-americanas.
Como vocês podem ver, ao contrário do Brasil, país de leis rigorosas, nos EUA a boca-de-urna não morreu. Ninguém é obrigado a votar mas o incauto que aparecer por uma das áreas de votação corre o risco de ser abordado por esses tiozinhos e tiazinhas bocas-de-urna.
A informação e imagens são da fotógrafa Flavia Paródia Penha, frequentadora assídua deste blog, que capturou essas cenas agora à pouco a caminho de casa, em Paoli, subúrbio de Philadelphia, no estado da Pensilvânia.
Flávia diz: "Olá Tas, passando por uma zona eleitoral por aqui qual foi a minha surpresa ao descobrir que eles fazem boca de urna, mas tudo fiel ao frio estilo americano, cada um no seu lado e só entregando panfletinho, nada de apito e caixa de som,rsrsrs."

Os americanos são bons de photoshop e idéias. Esta foi de Tor Myhren, diretor de criação da agência de publicidade Grey, de Nova York.
Faz parte da campanha "Let the issues be the issue", ou "Deixe as questões serem a questão" ou ainda "Deixe o principal como assunto principal", numa tradução livre. A intenção é provocar os eleitores que votam para presidente dos EUA no dia de hoje a deixarem de lado a cor da pele dos candidatos e se preocupar mais com as idéias que eles tem na cabeça.
Simplesmente, brilhante. Tomara que surta o efeito desejado.
Link: do site The Cool Hunter.

CQC 34
Dia 3 de Novembro
22h00
Band
Reprise: sábados, 20h15 (compacto)
Para ir ao estúdio: plateiacqc@band.com.br
Contato: cqc@band.com.br
Entre outras:
POR DENTRO DA FORMULA 1
LULA NO SALÃO DO AUTOMÓVEL
ASSESSOR DE IMAGEM: DEPUTADO MANO CHANGES
PEQUENO PÔNEI NUM LEILÃO DE PEQUENOS PÔNEIS
BALADA: TIM FESTIVAL
PRÊMIO REVISTA BRAVO
PROTESTE JÁ: VAGAS DE CRECHE EM CURITIBA
TOP FIVE
LIVRO DO CARLOS ALBERTO DE NÓBREGA
CQTESTE: SABRINA BOING BOING
Críticas, comentários e sugestões são bem-vindas!
PS: o programa é ao vivo, este é apenas o roteiro base que pode ser alterado em parte ou totalmente durante a transmissão.
Quando o mundo parece complexo demais, melhor ouvir as crianças. KEC TV é um telejornal experimental de uma escola de primeiro grau da Florida produzido e visto por seus 550 alunos. Mas a cobertura das Eleições Presidenciais norte-americanas fizeram o telejornal bombar na internet. Especialmente as matérias do mini-repórter Damon Weaver um aluno da quinta série que aqui entrevista o vice de Obama.
Outras entrevistas da KEC TV, aqui.